BC vê forte desaceleração do crédito em 2009

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central prevê que o estoque de crédito no país crescerá 16 por cento em 2009, após alta de 31 por cento este ano, refletindo o desaquecimento da economia brasileira em meio à crise global.

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"Você tem uma economia desacelerando, então a demanda por crédito cai", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, nesta terça-feira, ao anunciar a projeção.

"Mas crescer 16 por cento não é trivial, é um desempenho forte para um período de recuperação", argumentou.

O BC prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 3,2 por cento em 2009, após alta de 5,6 por cento este ano.

Segundo a estimativa do BC, o volume de crédito, que fechou novembro equivalendo a 40,3 por cento do PIB, nível recorde, chegará ao final de dezembro em 40,5 por cento do PIB e ao final de 2009 em 43 por cento.

Nos últimos anos, a elevação do crédito no país foi determinante para alavancar a atividade. O agravamento da crise global, no entanto, afetou esse desempenho.

Em novembro, o estoque total do crédito no país cresceu 2 por cento, para 1,209 trilhão de reais, após alta de 3 por cento no mês anterior. Considerando apenas as pessoas físicas, houve estagnação no volume de financiamentos no mês.

O estoque de financiamento de veículos para as pessoas físicas, incluindo leasing, foi um dos que mais sentiu o efeito da crise e caiu 0,9 por cento, para 136,8 bilhões de reais.

O crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, que acumula alta de 22 por cento nos últimos 12 meses, cresceu apenas 0,1 por cento em novembro.

"O crédito para a pessoa físia não reage tão prontamente quanto o crédito à pessoa jurídica", afirmou Altamir.

Números preliminares do BC para o crédito em dezembro apontam para um crescimento de apenas 0,7 por cento no estoque de crédito até o dia 11. O dado reflete uma retração de 1,1 por cento no financiamento para a pessoa física e elevação de 2,1 por cento para as empresas.

CRÉDITO MAIS CARO

As novas concessões de crédito oferecidas pelo bancos no país caíram 9,4 por cento em novembro frente ao mês anterior.

Na comparação pela média diária, as concessões aumentaram 4,2 por cento, após a forte retração de 7,3 por cento em outubro verificada em meio ao agravamento da crise financeira global.

A aparente retomada do volume do crédito novo ocorreu a despeito de uma elevação dos juros e do spread bancário.

O juro médio cobrado pelos bancos aumentou 1,2 ponto percentual, para 44,1 por cento em novembro. No mesmo período, o spread --que mede a diferença entre as taxas de captação e de aplicação dos bancos-- teve elevação de 1,9 ponto, para 30,3 pontos percentuais.

O prazo dos financiamentos também ficou um pouco mais apertado, tendo caído em 7 dias frente a outubro para 378 dias.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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