BC mantém juro, mas sinaliza alta com placar dividido

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juro em 8,75 por cento ao ano pela quinta reunião seguida, mas três dos oito integrantes defenderam uma elevação imediata de 0,50 ponto percentual.

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A divisão reforçou entre analistas a percepção de que o Banco Central está prestes a iniciar um ciclo de aperto monetário.

"A votação dividida é o sinal final que o Banco Central sempre costuma dar antes de mudar a política monetária", afirmou o economista-chefe do Banco Scahin, Silvio Campos Neto, acrescentando que esse recado não estava tão claro na ata da reunião de janeiro do Copom.

Na nota divulgada após o encontro que pode ser o último com Henrique Meirelles na presidência do BC, se ele optar por concorrer às eleições, o Copom afirmou que "irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

Pesquisa da Reuters feita na última semana mostrou que o mercado estava dividido em relação à decisão deste mês.

De 31 economistas ouvidos, 18 previam Selic estável este mês. Dos 13 que projetavam alta, 12 apostavam em elevação de 0,50 ponto percentual e um estimava alta de 0,25 ponto.

No mercado futuro de juros, as apostas em alta da Selic em março perderam força na sessão desta quarta-feira, com volume recorde de negócios na BM&FBovespa.

AQUECIMENTO

Os analistas que vinham prevendo aumento do juro já em março citavam a deterioração das expectativas de inflação e sinais de aquecimento da economia, como o Produto Interno Bruto (PIB) forte do quarto trimestre e o dado de vendas no varejo de janeiro acima do esperado pelo mercado.

Outros economistas ponderavam, por outro lado, que o BC ainda deveria esperar o efeito da recomposição dos compulsórios sobre a liquidez do sistema financeiro para iniciar um aperto monetário. O BC anunciou em fevereiro a elevação dos compulsórios sobre depósitos à vista e a prazo, e as medidas só começam a vigorar em 22 de março e 9 de abril.

As expectativas de inflação para este ano estão em alta há oito semanas, segundo o relatório Focus do BC e já se encontram em 5,03 por cento, acima do centro da meta de 4,5 por cento. Para 2011, as expectativas apontam inflação de 4,6 por cento.

O PIB cresceu 2 por cento no último trimestre de 2009 frente ao terceiro e teve expansão de 4,3 por cento ante o mesmo período de 2008. Os números vieram dentro do esperado por analistas e mostram a economia aquecida na virada do ano.

As vendas no varejo em janeiro ficaram bem acima das expectativas, com crescimento de 2,7 por cento, frente a previsão de 1,6 por cento levantada em pesquisa da Reuters.

MEIRELLES FORA?

Meirelles deve anunciar até o início de abril se permanecerá à frente do BC até o final do governo Lula ou se deixará o cargo para ter a possibilidade de concorrer a um cargo político nas eleições de outubro.

Para Filipe Pellegrini, gerente de operações da Corretora Confidence, o calendário eleitoral pode ter influenciado a decisão do BC. "Considerando que estamos em um ano eleitoral, também há uma questão política, já que não seria bem visto uma alta dos juros agora", afirmou.

A Selic está em 8,75 por cento, menor patamar da história, desde julho do ano passado, quando sofreu um corte de 0,50 ponto percentual.

O Copom voltará a se reunir em 27 e 28 de abril.

(Reportagem adicional de Paula Laier, José de Castro e Daniela Machado)

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