BC mantém juro em 13,75%, mas sinaliza corte em 2009

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juro em 13,75 por cento ao ano, em decisão unânime, mas deu um sinal claro de que poderá reduzir a Selic em breve.

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"Tendo a maioria dos membros do comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juro já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu por unanimidade ainda manter a taxa Selic em 13,75 por cento ao ano neste momento", afirmou o colegiado do Banco Central em nota.

"O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária."

A decisão do Copom, a última do ano, veio em linha com o esperado pelo mercado. Pesquisa da Reuters feita na semana passada mostrou que 24 de 25 analistas consultados esperavam que o BC manteria a Selic.

A avaliação é que, dada a volatilidade em meio à crise financeira global, as perspectivas para o crescimento e para o câmbio no Brasil ainda são incertas e o BC optaria por ganhar mais tempo para avaliar o cenário.

Analistas já esperavam que o BC daria uma indicação sobre seus próximos passos no comunicado, mas o tom da nota foi ainda mais direto do que o aguardado a respeito de um futuro corte dos juros.

"Esse comunicado é um sinal de que pode, sim, cortar a Selic antes do que se pensava. Aumenta as chances de cortar (já em janeiro)", afirmou o economista-chefe do Banco Real Asset Management, Hugo Penteado.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do Westlb, o comunicado do BC também foi "um sinal muito claro de que vem corte de juro em janeiro".

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 6,8 por cento no terceiro trimestre frente a 2007, bem acima das expectativas do mercado. Dados mais recentes da indústria e do emprego, no entanto, já sinalizam um claro desaquecimento da atividade.

A inflação também surpreendeu com desaceleração em novembro, mas a escalada do dólar alimenta temores sobre o comportamento futuro dos preços.

O IPCA, índice de inflação ao consumidor usado pelo governo para balizar o regime de metas, acumula alta de 5,61 por cento no ano até novembro e aumento de 6,39 por cento nos últimos 12 meses --perto do teto da meta de 6,5 por cento.

"É o que deviam fazer. A inflação ainda está muito alta e a demanda estava extremamente aquecida.", afirmou Joel Bogdanski, economista do Itaú. "Ainda não está claro para o Copom de que estamos entrando num processo recessivo. Mas o sinal (de que pode começar a cortar juro) já foi dado."

Depois de quatro aumentos sucessivos da Selic, o BC interrompeu, em outubro, o processo de aperto monetário diante do agravamento da crise externa.

A reunião desta quarta-feira durou mais de quatro horas e foi uma das mais longas do ano. A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 20 e 21 de janeiro.

(Reportagem adicional de Aluísio Alves e Daniela Machado)

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