BBC suspende estrelas da TV por brincadeira abusiva no rádio

Por Luke Baker LONDRES (Reuters) - A a reda britânica BBC suspendeu nesta quarta-feira dois de seus apresentadores mais bem pagos e de maior sucesso, depois de eles terem abusado verbalmente de um ator cômico de 78 anos numa brincadeira na rádio que deu errado.

Reuters |

Russell Brand, comediante que tem uma carreira em ascensão em Hollywood, e Jonathan Ross, um dos apresentadores mais bem pagos da televisão britânica, foram suspensos por "violação grosseira do bom gosto" em um programa de rádio, dez dias atrás.

No programa, previamente gravado, os dois telefonaram e deixaram mensagens insultantes na secretária eletrônica de Andrew Sachs, ator cômico conhecido sobretudo pelo papel do desastrado garçom espanhol Manuel na célebre série cômica britânica "Fawlty Towers", da década de 1970.

Nos telefonemas, os dois brincaram, dizendo que Brand teria dormido com a neta de 23 anos de Sachs e que, quando ouvisse as mensagens, Sachs provavelmente se mataria.

O programa foi ao ar no final de noite de 18 de outubro e num primeiro momento atraiu pouca atenção. Aparentemente, o público jovem do programa não ficou chocado ou surpreso.

Mas, depois de o assunto ser coberto no resto da mídia, incluindo transcrições das ligações, nas quais Ross e Brand falam palavrões e fazem brincadeiras de teor sexual provocante, as queixas se avolumaram. Mais de 18 mil pessoas fizeram questão de registrar seu repúdio.

Ross e Brand, que causou polêmica nos EUA este ano quando apresentou o MTV Music Awards, pediram desculpas a Sachs e ao público, mas a impressão que se teve é que o pedido foi feito tarde demais e não foi suficientemente sincero.

Chocada com o furor público provocado, a BBC anunciou que Brand e Ross -- que, ao que consta, tem um contrato multimilionário de três anos com a emissora -- foram suspensos por tempo indefinido.

O escândalo é especialmente problemático para a BBC, que exerce papel central na vida britânica, sendo emissora de programação cultural, esportiva e artística na rádio, televisão e Internet, e também a principal emissora jornalística do país.

Como a produção da emissora é financiada pelos contribuintes -- todos os britânicos têm que pagar uma taxa de licenciamento de cerca de 300 dólares anuais para receber a programação de TV --, existe a sensação de que essa produção pertence à população e deve ser pautada por seus limites.

Este não foi o primeiro escândalo a atingir a BBC, que iniciou suas transmissões nos anos 1920 e é conhecida afetuosamente como "Auntie" (Tia), devido a seu papel quase familiar na vida dos britânicos.

Sua cobertura foi criticada pelo governo em 2003 depois de a emissora sugerir que os argumentos em defesa do ingresso britânico na guerra do Iraque teriam sido manipulados. Uma investigação concluiu em favor do governo.

No ano passado, a BBC e a emissora comercial ITV foram criticadas por induzir o público ao erro em concursos falsos.

Com o aumento dos canais via satélite e a cabo no país, a BBC vem se esforçando para manter-se na vanguarda e relevante ao mercado dos jovens, pagando grandes quantias para impedir que astros como Ross a abandonem em favor da concorrência.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG