BB vê expansão menor do crédito, inadimplência estável

Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil prevê que suas operações de crédito vão crescer neste ano com menos da metade da velocidade de 2008, mas avalia que a desaceleração econômica não vai deteriorar a qualidade da carteira.

Reuters |

"O mercado tem condições de aguentar bem a dinâmica da crise. Vamos superar com facilidade nossa perspectiva de crescimento de 17 por cento para o ano, sem piorar os atuais níveis de inadimplência", disse nesta quinta-feira o presidente do BB, Antonio Lima Neto, ao comentar os resultados do quarto trimestre.

No ano passado, o banco estatal elevou as operações de crédito em 40 por cento, para 224,8 bilhões de reais. A estimativa para 2009 parte da premissa de que o país crescerá 2 por cento.

O carro-chefe da evolução da carteira, segundo Lima Neto, serão as empresas, grupo para o qual o BB espera um aumento de 20 a 25 por cento nas operações de crédito.

Segundo ele, a combinação de robustez do mercado interno com a postura mais flexível do banco em tratar com clientes vai manter a inadimplência em níveis próximos dos atuais.

No final de 2008, a taxa de operações de crédito em atraso superior a 90 dias era de 2,4 por cento, abaixo dos 2,7 por cento de um ano antes. Na pessoa física, a modalidade em que a taxa é mais alta, o percentual caiu de 6,3 para 5,9 por cento.

Ainda assim, no último trimestre de 2008 o BB elevou em 1,6 bilhão de reais seu provisionamento para perdas esperadas com créditos não pagos. "É uma questão prudencial, porque estamos no meio de uma crise", justificou.

O executivo disse ainda que o banco está confortável com seus níveis atuais de proteção de capital, com índice de 15,6 por cento, acima dos 11 por cento exigidos pelo acordo de Basiléia 2.

Esse nível deve cair nos próximos meses, quando o BB pagar a aquisição da Nossa Caixa e os 49 por cento do banco Votorantim.

"Existem mecanismos, como uma emissão de dívida subordinada, que podem ser utilizados para manter nossos níveis de Basiléia em patamares confortáveis", disse.

O banco teve lucro líquido do quarto trimestre do ano passado foi de 2,944 bilhões de reais, ante 1,217 bilhão de reais um ano antes. Em 2008 todo, o lucro somou 8,8 bilhões de reais, um salto de 74 por cento.

FALHA DE COMUNICAÇÂO

Lima Neto admitiu que o BB se comunicou mal com o mercado ao divulgar as taxas cobradas em algumas de suas operações, o que explicaria o fato de o banco ter aparecido nos rankings do Banco Central como dono dos spreads bancários mais elevados do mercado no final do ano passado, no pior momento da crise.

"Nós computamos indevidamente os custos de IOF em algumas operações e uma de nossas linhas de capital de giro, que tem custo maior, tem características diferentes das utilizadas pelo mercado", sustentou. "Historicamente, nossas taxas sempre foram menores do que as do mercado e essas questões já estão esclarecidas."

Lima Neto negou que o banco esteja planejando novas aquisições no curto prazo, além das que já estão em andamento, como a do Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo) e do BRB (Banco de Brasília).

Ele adiantou que o banco está desenhando um novo modelo de participação em seguros, mas também negou que aquisições de concorrentes estejam no cenário de curto prazo.

O presidente do BB adiantou que o banco está se preparando para entrar com mais força no segmento de financiamento para compra de imóveis, do qual participa desde junho de 2008, tão logo o governo federal anuncie o plano de incentivo à construção civil.

"Estaremos presentes por questão empresarial. Isso não está violentando o planejamento estratégico do banco", disse, negando que a medida represente uma ingerência do governo, seu principal acionista.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG