Battisti se diz tenso por seguir preso apesar de refúgio

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em carta escrita de próprio punho e divulgada nesta sexta-feira, o ex-militante de esquerda italiano Cesare Battisiti afirmou que está ansioso, tenso e nervoso por seguir preso apesar do refúgio político concedido pelo governo brasileiro. A carta do italiano foi entregue a alguns veículos de comunicação do Brasil e da Itália pelo advogado de Battisti, Fábio Antinoro, em Brasília, de acordo com a Agência Brasil.

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"Desde que soube da concessão do refúgio político no Brasil e sigo preso, a ansiedade, a tensão e o nervosismo me acompanham", disse Battisti na carta, que foi reproduzida pela Agência Brasil na Internet.

Battisti, de 54 anos, está preso desde maio de 2007 na penitenciária da Papuda, em Brasília, onde cumpre prisão preventiva para fins de extradição solicitada pelo governo italiano.

Ele foi condenado em seu país à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos entre 1977 e 1979. Na época, Battisti, que alega inocência, integrava a organização Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).

Battisti voltou a negar na carta que tenha cometido os crimes.

"Reafirmo minha condição de perseguido político. Não sou responsável por nenhuma das mortes de que me acusam e sei que a dor que elas causaram é imensa ainda hoje", afirmou Battisti.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu este mês conceder o refúgio político ao italiano, que entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal solicitando sua soltura e também a extinção do processo de extradição.

A decisão brasileira de conceder o refúgio foi condenada veementemente por autoridades italianas, incluindo o premiê Silvio Berlusconi e o presidente Giorgio Napolitano, que manifestaram publicamente sua insatisfação.

Do lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a decisão nesta sexta-feira, mas disse que a decisão que for tomada pelo STF sobre a extradição será respeitada.

Na quinta-feira, após o governo italiano ter chamado para consultas seu embaixador no Brasil, o STF decidiu conceder um prazo de cinco dias para que a Itália se manifeste no processo de extradição.

(Por Pedro Fonseca)

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