BRASÍLIA - O escritor e ex-ativista político italiano Cesare Battisti recebeu nesta segunda-feira visita de representantes de instituições ligadas aos direitos humanos, na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Aos visitantes, Battisti disse estar ¿tranquilo e confiante¿, à espera do julgamento de quarta-feira (9), no Supremo Tribunal Federal (STF), quando será decidido se o país aceita ou não o pedido de extradição, feito pelo governo italiano.

Em 1993, Battisti foi condenado à prisão perpétua em seu país pela suposta autoria de quatro assassinatos ocorridos entre 1977 e 1979. Segundo a coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do Conselho Federal de Psicologia, Ana Luiza de Souza Castro ¿ integrante do grupo que visitou o italiano na Papuda ¿, Battisti se disse esperançoso e preparado para o julgamento.

Ele reiterou que a escolha por vir ao Brasil estava relacionada a uma avaliação pessoal de que o país já estava com a sua democracia consolidada, o que seria positivo para a obter a condição de asilado político, disse a psicóloga.

Não temos nenhuma dúvida de que se trata de um caso de exílio político, e nossa expectativa é de que a decisão do STF reflita o que já foi decidido em casos anteriores, de respeito da Corte aos direitos humanos, afirmou.

Para Ana Luiza, seria uma contradição o Brasil não conceder asilo a Battisti, depois de ter feito o mesmo pelo ex-presidente do Paraguai Alfredo Stroessner, em 1989.

Fiquei absolutamente certa da justeza dessa causa. Eu não o conhecia pessoalmente, e até então minha opinião era constituída apenas por leituras e considerações de outras pessoas. Agora, depois de conhecê-lo, estou convicta da causa e do quão necessário é não permitir que ele seja extraditado, argumentou Ana Luiza.

Segundo ela, as provas apresentadas contra Battisti na Itália são todas questionáveis. A Itália sequer assume publicamente que foi palco de luta armada nos anos 70, ou que, nessa época, foram realizadas prisões e assassinatos motivados politicamente, avaliou.

Em janeiro deste ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano, sob a alegação de que ele não teve direito a ampla defesa no seu país de origem e de que um eventual retorno colocaria em risco a sua integridade física.

A decisão de Tarso, que contrariou o entendimento do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), foi duramente criticada por autoridades italianas, que definem Battisti como terrorista.

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