Bate-boca desgasta Judiciário, diz presidente da Ajufe

BRASÍLIA - O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, afirmou nesta quinta que o bate-boca desta quarta entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, ocorrido durante sessão da Corte, causa desgaste dentro do Judiciário.

Agência Estado |

De acordo com Mattos, o Poder Judiciário tem de ter visibilidade pelas decisões tomadas, não por declarações. Ele participou nesta quinta do debate "Polícia, Justiça e Estado de Direito - Há excessos das autoridades no combate ao crime do colarinho branco?", promovido pelo "Grupo Estad"o na capital paulista.

"Ontem, outra vez, mostrou-se que a opinião do ministro Gilmar Mendes não representa a opinião do Tribunal, muito menos da magistratura", afirmou Mattos. Segundo o presidente da Ajufe, o episódio mostrou que se deve diferenciar "a pessoa de Mendes do Tribunal". Para Mattos, o bate-boca revela uma "exposição excessiva do Poder Judiciário por causa de declarações e não de decisões".

O diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Roberto Troncon, outro debatedor, disse que a acusação de Barbosa de que Mendes "destrói a Justiça do País", é um "exagero". Conforme Troncon, o presidente do STF tem uma postura diferenciada com relação aos antecessores no cargo. "Ele (Mendes) verbaliza mais, pois trata de assuntos polêmicos", disse.

O subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves tentou contemporizar as acusações de Barbosa. Ontem, no bate-boca, Barbosa pediu "respeito" de Mendes, afirmando que o presidente do STF não estava falando "com os seus capangas do Mato Grosso". Segundo Gonçalves, quando Barbosa usou a expressão "capanga", quis dizer que Mendes não se dirigia a "qualquer um".

mais sobre: STF

    Leia tudo sobre: stf

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG