Batalhão de Choque busca mobilidade sobre duas rodas

O trânsito do Rio de Janeiro levou o Batalhão de Choque da Polícia Militar a uma conclusão: equipes sobre quatro rodas não têm mais a mesma mobilidade. Os policiais que inicialmente circulavam em duplas passaram a fazer rondas em trios de motos com quatro homens, um deles portando uma carabina ou fuzil curto na traseira. A mudança teve resultado rápido e um pedido para ampliação. O batalhão receberá 187 novas motos, reformando e repassando as cerca de 60 mais antigas que possui hoje para a polícia convencional.

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

As unidades passam a transitar com cinco policiais, um com arma letal, outro com lançador não letal, e na terceira moto um baú na traseira com equipamentos para uso da força de forma progressiva, correspondente à ameaça em que os policias se encontrarem. O tenente Alexandre de Lima Ramos, do departamento de comunicação social do BP Choque, explica:

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BP Choque dribla o trânsito com equipes sobre duas rodas


"A Avenida Brasil serviu de escala. O batalhão fez um estudo e concluiu que os crimes aconteciam na hora de maior concentração de pessoas na rua e nesses horários não dá para ir com uma viatura grande. A maior incidência era nos pontos de ônibus, sempre nos mesmos horários. No primeiro já tivemos prisão, apreensão de arma...", conta, esclarecendo que o estudo foi feito em cima dos crimes de homicídio, latrocínio, assaltos a pedestres e roubo de carros. "Reduzimos cerca de 30% nos indicadores", assegura.

As motocicletas deverão estar nas ruas entre três e seis meses. Serão mais potentes, passando de 400cc e 600cc para até 750cc. Modelos propostos pelos fabricantes, atendendo ao pedido por durabilidade, agilidade e potência, estão em teste. As unidades de escolta utilizam o legado do Pan de 2007, a Harley Davidson especialmente desenvolvida para uso policial, de 1500cc. Entre as quatro rodas, já chegaram 13 caminhonetes Nissan de cabine dupla, para portar equipamento e tropas, sendo que outras 34 estão a caminho. Dez Blazers também foram incorporadas à frota. A PM convencional deverá receber outras 300 motos novas.

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Equipes de moto carregam munições letais e não letais nas ruas


"Com essas inovações, as equipes se deslocam rapidamente e têm equipamento para atender a qualquer tipo de situação, em apoio às unidades locais. Informalmente, o início dessa mudança foi chamado de Projeto Garupa", afirma Lima Ramos, acrescentando que também estão sendo requisitados e testados novos equipamentos como capacete com comunicador e hidratação integrados, caneleiras, joelheiras, câmeras nas fardas e até mudanças no uniforme dos motociclistas. "Foi criado um gabinete de projetos no Choque só para isso. Estamos verificando os mais diversos tipos de equipamento".

Nas equipes de moto, os policiais levam, além do fuzil letal, arma de pulso eletromagnético, munição de borracha e granadas de gás lacrimogêneo e pimenta. "Se tornou uma tendência colocar as operações especiais sobre duas rodas", conclui Lima Ramos.

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