Disposto a evitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) restrita ao Senado para investigar despesas com cartão corporativo, o governo vai negociar com a oposição. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, conversará hoje com os senadores Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, e José Agripino (RN), que comanda a bancada do DEM, na tentativa de procurar o entendimento.

Na prática, o Planalto deve sinalizar mais flexibilidade da base com os adversários na CPI Mista dos Cartões, formada por deputados e senadores.

O assunto foi tratado ontem à noite na reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros que compõem a coordenação política do governo. A idéia é permitir a aprovação de alguns requerimentos de transferência do sigilo dos gastos da Presidência e, em último caso, até a convocação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, desde que acertados os procedimentos para a sabatina. Com essa tática, o governo espera conseguir abortar a criação de uma CPI exclusiva do Senado.

O presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), prometeu ler hoje no plenário o requerimento de abertura da outra CPI. “Acho que devemos utilizar os mecanismos necessários para evitar uma CPI desnecessária e supérflua”, afirmou ontem o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), após se reunir com Múcio e com o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da comissão mista. “Não tem sentido instalar uma outra CPI no Senado.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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