Base aliada derruba requerimento para que promotor fale sobre caso Bancoop

Por um voto, a base do governo derrubou nesta quarta-feira um requerimento da oposição para que o promotor de São Paulo José Carlos Blat comparecesse ao Senado com o objetivo de falar sobre suposto desvio de recursos na Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). O desvio, de acordo com o vice-líder do PSDB e autor do requerimento, Álvaro Dias (PR), seria da ordem de R$ 100 milhões. A audiência pública ocorreria na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ).

Agência Brasil |

Um dos envolvidos na investigação é o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que ocupava, à época das supostas irregularidades, cargo de direção na Bancoop. O requerimento foi derrubado por 10 votos da base governista contra nove da oposição.

Queremos dar a oportunidade de o promotor público relatar procedimentos adotados na investigação, o itinerário da corrupção, quais as provas que pode aprovar e quando fará denúncia à Justiça para que processo civil e criminal possa ter sequência. Não vejo por que a base aliada negar essa oportunidade ao promotor, afirmou o vice-líder.

A base governista argumentou que o requerimento teria caráter de campanha eleitoral, uma vez que o assunto não está em debate na comissão, nem tampouco no Senado. Não podemos trazer para a CCJ assuntos como esse para não politizar uma investigação que está em andamento em São Paulo. Esse requerimento é um desserviço à CCJ e ao Senado. O debate eleitoral deve ocorrer nos níveis de competência, que não são o Senado, afirmou o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-AP).

Já a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT), afirmou que os supostos desvios sob investigação do Ministério Público de São Paulo não envolvem dinheiro público e a denúncia sequer foi feita à Justiça. Se a Justiça não foi acionada, por que a CCJ, que não tem a ver com dinheiro público, vai ouvir o procurador que não fez a denúncia?, questionou a senadora, que também subscreveu as declarações de Jucá de que o requerimento tem viés eleitoral.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), por sua vez, qualificou os supostos desvios da Bancoop de um grande escândalo que envolve o governo federal e envolve cunho político sim porque [os recursos] foram para partido político. Sobre as declarações de Jucá de que o Senado não pode ser palco de disputa político-eleitoral, Jereissati fez duras críticas à formatação, pela Casa, da solenidade de comemoração do Dia Internacional da Mulher, realizada nesta terça-feira.

No entender do senador tucano, toda a solenidade foi montada para servir de palanque no Senado para a ministra Dilma Rousseff. Ela foi uma das convidadas para a cerimônia. Se o palanque é para um palanque da mulher, não entendo por que a candidata Marina não teve o mesmo direito que ela. Todos que falaram, louvaram Dilma. Isso sim é fazer campanha política e desrespeito ao Parlamento nacional, acrescentou Tasso Jereissati.

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