Barra da Tijuca cresceu sem infraestrutura

RIO DE JANEIRO - Os problemas da Barra da Tijuca são bem específicos. Até os anos 60, a área era um grande areal, com 18 quilômetros de praia de mar aberto, de baixa temperatura, mais propício ao surfe do que ao banho. A ocupação começou a partir do plano piloto do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, de 1969.

Agência Brasil |

A corrida imobiliária sem regras e obrigações claras, a partir dos anos 70 e do chamado milagre brasileiro, levou à rápida expansão do bairro, sem a infraestrutura necessária, transformando os moradores dos condomínios numa espécie de habitantes remotos do Rio, longe de tudo e de todos. Nas décadas que se seguiram, várias benfeitorias amenizaram esse cenário, culminando com a ligação direta ao centro da cidade e aos aeroportos pela Linha Amarela, em 1998.

Hoje, a Barra da Tijuca é maior do que seus problemas e, segundo a prefeitura, a atividade econômica local é composta por cerca de cinco mil estabelecimentos, 90,4% dos quais são do segmento de comércio e serviços, empregando aproximadamente 42 mil pessoas. O volume de negócios gera R$ 70,0 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), o que equivale a US$ 60,3 milhões, a nona arrecadação da cidade.

A Barra está classificada como de alto desenvolvimento humano, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH=0,855), e ocupa a quinta posição quando consideradas as 12 regiões do Plano Estratégico. Entre as dimensões que compõem o IDH, é a sétima colocada em longevidade (IDH-L=0,779), décima-primeira em educação (IDH-E=0,907) e terceira em renda (IDH-R=0,880).

Todos esses números implicam a contrapartida, que é o preço pago pela falta de planejamento. Por isto, a iniciativa do Encontro Barra Sustentável ¿ Ainda há Tempo, no qual serão abordadas as questões ligadas à faixa litorânea, tão mal cuidada que deu espaço aos edifícios Palace I e II, da antiga construtora do engenheiro Sérgio Naya, quanto às áreas mais afastadas, no sentido da Baixada de Jacarepaguá, onde se situam reservas naturais, mantenedoras do ecossistema da região, como os Campos de Sernambetiba e as águas do Maciço da Pedra Branca, entre outros.

Os Campos de Sernambetiba são o lugar ideal para fazermos a Veneza carioca, garante a vereadora Aspásia Camargo, citando projeto neste sentido na Secretaria Municipal de Urbanismo há alguns anos. A Barra tem uma beleza cênica incomparável, tem vários Pães de Açúcar, o Maciço da Pedra Branca, de grande valor ambiental e que devem ser preservados.

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