Bares e restaurantes buscam se adaptar à nova lei antifumo

SÃO PAULO - A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, nesta terça-feira, o projeto de lei do governador José Serra que proíbe o fumo em ambientes de uso coletivo, sejam eles públicos ou privados. Nesta quarta-feira, primeiro dia após a aprovação do projeto, os bares e restaurantes informam que já estão mudando sua rotina, apesar de o prazo para a adaptação ser de 90 dias. Os frequentadores dos locais, fumantes e não-fumantes, dividem opiniões sobre a efetividade da lei.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

O restaurante Ritz, de São Paulo, por exemplo, informa que está se adaptando desde novembro de 2008 ao movimento da nova lei. Desde o ano passado, não se pode mais fumar dentro das unidades Jardins e Itaim Bibi do restaurante. A área exclusiva para fumantes foi extinta e nas áreas externas foram colocados mais cinzeiros à disposição dos clientes, de acordo com uma nota divulgada.

As mudanças são necessárias, já que a lei prevê que os proprietários paguem multas e até tenham seu comércio interditado, se clientes forem pegos fumando em seu estabelecimento. Caso ele não consiga convencer o cliente, pode até chamar a polícia para a retirada de um fumante mais teimoso.

O gerente do bar Rei das Batidas, Carlos Abrantes, de 48 anos, acha que a medida policial será pouco efetiva. Não funciona. Se com um acidente grave, a viatura já demora uns 15 ou 20 minutos pra chegar, quando os policias chegarem, a pessoa já vai ter apagado o cigarro e vai ser a minha palavra contra a dela, disse. Eles não avaliam a viabilidade de implantar a lei e eu posso estar sujeito a pagar uma multa por um erro de outra pessoa, completa.

Sobre se o movimento no bar vai diminuir, Abrantes acha que a nova lei não vai afetar o happy hour ou o jantar do paulistano. Vivemos em uma cidade estressante. Sua única válvula de escape é poder sair no fim do dia, diz.

Airton Teixeira, gerente do restaurante e bar Yellow, concorda que o movimento não deve diminuir. Não temos um grande público de fumantes e só permitíamos o cigarro caso o restaurante estivesse vazio. Ele conta que o restaurante tem uma grande cliente fumante. Ela vai ter que entender, explica.

Está em jogo, também, com esta lei, a saúde dos garçons que são submetidos à fumaça em seu ambiente de trabalho. A preocupação é de Mariana Siqueira, fumante há cinco anos e estudante de publicidade, ninguém deve ser obrigado a inalar fumaça no serviço. Abrantes ressalta que se preocupa com a saúde dos seus garçons, mas conta com a educação dos clientes.

Os fumantes

O comportamento dos fumantes deve mudar pouco com a nova lei. Pelo menos é o que diz o depoimento de três fumantes ouvidos pelo Último Segundo, que não parecem ter dificuldades de se adaptar às novas regras.

Mariana diz que tem plena consciência do quão incômodo para os não-fumantes é a fumaça que sai do cigarro. Eu, sinceramente, não ligo de fumar na calçada ou pegar uma mesa em um lugar aberto. Esta lei define aonde chega o direito de um e termina o direito de outro. Estão protegendo do direito das outras pessoas de se divertirem sem ter que sofrer pelos maus hábitos dos outros, completa.

Henrique Corrêa, um desenvolvedor de web de 26 anos, diz que evita fumar em locais fechados e que agora os fumantes vão ter que procurar um local para fumar. Ele conta que fuma em casa, em todos os cômodos, já que sua mulher também é fumante, só que no trabalho procura uma área aberta.

Para ele, um lugar onde o incômodo do cigarro é evidenciado é no ponto de ônibus. Quando a gente fuma, [as pessoas] tossem, fazem hum hum, mas nunca falam. Eu percebo e me afasto. Ele conta que não deve deixar de freqüentar lugares onde o cigarro agora é proibido.

Tiago Vilela, de 27 anos, conta que fuma há dez anos e fuma em lugares fechados, mas se tiver que sair para fumar eu saio. Eu acho que é um direito da casa escolher se pode ou não fumar no local. Se a pessoa não gosta, simplesmente não vá, completa.

Os não-fumantes

André Pasqualini representa aqueles que não fumam e ficaram felizes com a aprovação da nova lei. O analista de sistemas conta que nunca fumou e conta uma experiência desagradável em um restaurante. Uma vez fui a um restaurante e pedi a área dos não fumantes. Estava comendo e senti o cheiro de cigarro, que vinha de uma mesa em que um homem fumava ao lado de duas crianças. Reclamei com o garçom e ele disse que não poderia fazer nada, já que eu já estava na área dos não-fumantes, diz.

Apesar de ser a favor da lei e já ter tido experiências ruins em lugares fechados, ele acha que a decisão sobre a proibição deveria vir do proprietário do local. O dono do estabelecimento deveria escolher se liberava ou proibia o fumo no estabelecimento. Então, a gente escolhia se queria ou não entrar no local, afirma.

Segundo ele, também estão envolvidos os interesses dos comerciantes. Eles estão preocupados, pois sabem que o cigarro ajuda a vender bebidas alcoólicas. Mas restaurantes, em geral, duvido que terão problemas.

A lei vai pegar?

A questão divide opiniões e traz respostas relativistas. A nova lei vai pegar? Abrantes, do Rei das Batidas, Não. Já cansei de ir ao shopping e ver gente fumando. E lá é proibido faz tempo. Já Teixeira, do Yellow, acha que a lei vai pegar tranquilamente. As pessoas precisam entendem que incomoda.

No grupo dos fumantes, Mariana Siqueira acredita que a lei vai deixar brechas. Acho que vai pegar como tudo no Brasil: sempre vai rolar um jeitinho. A lei vai pegar nos lugares mais visados, mas duvido, sinceramente, que nos lugares undergound haja alguma fiscalização, completou.

Corrêa, que também fuma, está mais confiante. Acho que a lei pega sim. Como nos shoppings, que foi proibido a pouco tempo, e funciona muito bem.

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