Barco que naufragou em Paranoá estaria superlotado, diz Marinha

Embarcação teria capacidade para até 92 pessoas. Bombeiros estimam que havia pelo menos 102 passageiros

Naiara Leão, iG Brasília |

A Marinha afirmou na tarde desta segunda-feira que o barco que afundou na noite de domingo (22), no Lago Paranoá, em Brasília, poderia estar superlotado. “Todos os indícios levam a isso”, diz o delegado fluvial Rogério Leite.

O barco que realiza esse tipo de evento costuma ter capacidade para até 90 passageiros e dois tripulantes, explica a Marinha. Os bombeiros estimam que a festa tinha pelo menos 102 convidados.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, com o sobrepeso de passageiros, entraria mais água do que as bombas de esgotamento poderiam suportar. A hipótese, no entanto, só poderá ser confirmada quando o barco for retirado da água e a perícia verificar sua capacidade máxima. Até o momento, segundo bombeiros, há sete ou oito pessoas desaparecidas. A lista de convidados da festa possui má visualização o que dificultaria a identificação das vítimas.

null“Ainda estudamos a ideia de superlotação. O que sabemos é que houve um peso muito grande porque o barco estava cheio. Isso naturalmente abaixa o nível da embarcação e facilita a entrada de água jogada por outros barcos”, diz o responsável pela operação de resgate, Major Adriano Azevedo.

Em nota, a Marinha esclarece ainda que toda a documentação do barco Imagination estava em dia e foi vistoriada em novembro do ano passado. " Na ocasião, o Material de Salvatagem (coletes, extintor de incêndio e bóias circular, entre outros) encontrava-se de acordo com as especificações e na quantidade prevista. O condutor da embarcação no momento do acidente, Sr Airton da Silva Maciel, possui a habilitação exigida", diz o texto.

Às 18h30 foi encontrado o corpo de uma criança. A suspeita é de seja a menina Ester, de dez anos, única criança que os bombeiros procuravam. Não há confirmação oficial do sexo e a cidade.

O corpo de um homem adulto também foi encontrado às 18h próximo ao barco e  às 11h40, o corpo de Flávia Daniela Pereira Dornel, de 22 anos, foi encontrado pelos mergulhadores preso à embarcação.

Flávia era irmã da promoter da confraternização que ocorria no barco, Vanda Pereira Dornel, sobrevivente do acidente. Vanda prestou depoimento pela manhã e disse que faz eventos há anos neste e em outros barcos e que nunca houve acidentes. Ela contrata os barcos e realiza as festas. Dessa vez, participavam da festa amigos e parentes e alguns outros convidados, que pagavam entre R$ 50 e R$ 60.

Uma lista com os nomes das possíveis vítimas foi encontrada por volta das 12h. A perícia trabalha no documento para conseguir visualizar os nomes confirmados. Porém, não tem certeza se todos os passageiros tiveram o nome confirmado ao chegar ao local.

As estimativas de número de pessoas presentes se baseiam também nas afirmações do comandante do barco. O major Azevedo acredita que algumas pessoas possam ter se salvado nadando e não tenham entrado em contato com órgãos de segurança.

Segundo uma das responsáveis pelas buscas, a Major Vanessa Signalli, essas sete ou oito pessoas não chegaram em casa e a família acredita que estavam na festa do barco, mas não há uma confirmação oficial do número.

Falha mecânica e tripulação reduzida podem ter contribuído

nullAutoridades começam a levantar suspeitas de que a causa do acidente seja falha técnica e humana. A possibilidade de que existia uma lancha que bateu na embarcação ainda não foi descartada, mas é menos provável, segundo o major Azevedo.

“Há relatos desencontrados sobre a colisão com a lancha e o próprio comandante nega que tenha acontecido”, diz o major. “Por outro lado, claramente houve uma falha técnica nas bombas de esgotamento. Pode haver fissura no casco ou entrada excessiva de água”, completa.

Ele explicou que uma marola provocada por lanchas que passaram próximas à embarcação pode ter jogado muita água para dentro do barco. As bombas de esgotamento, responsáveis por jogar a água para fora, não teriam suportado a quantidade e a embarcação afundou.

“Sempre entra água no barco, mas pode ter sido um volume muito grande ou as bombas podem simplesmente não ter funcionado direito”, afirma Azevedo. A documentação e a fiscalização da embarcação estavam em dia, de acordo com a Marinha.

O delegado fluvial Rogério Leite diz ainda que em 2011 foram fiscalizados 90% barcos a mais do que no mesmo período do ano passado. Brasília tem a terceira frota do Brasil em barcos de esporte e passeio.

Bryan Sampaio/iG Brasília
Buscas por corpos do naufrágio no Lago Paranoá, em Brasília
Reflutuação de barco espera fim do resgate

Segundo a Major Signalli, o içamento dos barcos só será feito depois que não houver mais desaparecidos. "Não podemos deslocar nenhum homem da busca", diz.

Dois mergulhadores já estão fotografando o barco para que os Bombeiros planejem a ação. As condições de visibilidade, no entanto são muito complicadas, segundo a Major. "Como o Lago é artificial e foi feito na época da construção de Brasília, há muitos materiais de contrução e árvores no fundo. A visibilidade é de apenas um metro".

A operação de resgate segue até às 18h30 e será retomada amanhã às 6h. Segundo o Comandante Leite, dois mergulhadores da Marinha do Rio de Janeiro são esperados para ajudar no içamento do embarcação, que está a 17 metros de profundidade.

Leia trecho de nota enviada à imprensa pela Marinha

"De acordo com seus registros, a embarcação “Imagination”, que era autorizada a transportar até 90 pessoas e dois tripulantes, sofreu vistoria em novembro de 2010, quando renovou o “Certificado de Segurança da Navegação – CSN”, estando dentro das normas previstas para este tipo de embarcação. Na ocasião, o Material de Salvatagem (coletes, extintor de incêndio e bóias circular, entre outros) encontrava-se de acordo com as especificações e na quantidade prevista. O condutor da embarcação no momento do acidente, Sr Airton da Silva Maciel, possui a habilitação exigida.

A DelBrasília (Delegacia Fluvial de Brasília) informa que mantém uma equipe de Inspeção Naval pronta para atuar no Lago Paranoá 24 horas por dia, com pelo menos quatro militares. A fiscalização, realizada inclusive no período noturno, é intensificada nos dias em que há um maior movimento de embarcações no Lago, que são sábados, domingos e feriados.

Uma equipe da Delegacia Fluvial de Brasília permanece no local apurando as causas do acidente e auxilia na busca das vítimas desaparecidas, realizada pelo Corpo de Bombeiros de Brasília.
A DelBrasília, além de auxiliar nas buscas, continuará o processo de obtenção de informações sobre as circunstâncias em que ocorreu o acidente, de modo a conduzir o inquérito, que foi aberto para investigar as causas e as condições da embarcação no momento do sinistro, inclusive no que se refere à quantidade de material de salvatagem, cujo prazo para conclusão é de até 90 dias."

    Leia tudo sobre: barcolago paranoánaufrágio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG