O aumento de provisões para perdas com operações de crédito afetou negativamente o resultado do segundo trimestre do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), avaliou hoje seu presidente, Fernando Lemos, ao apresentar os números do período. O Banrisul teve lucro de R$ 104,2 milhões, um resultado 44,35% abaixo do obtido no mesmo trimestre de 2008.

No ano passado, o banco havia feito provisões de R$ 62,2 milhões, valor que subiu para R$ 109,9 milhões de abril a junho de 2009. Além do efeito das provisões, o Banrisul observou, em relatório do trimestre, que no ano passado houve contabilização de créditos tributários, o que não se repetiu em 2009.

Lemos reiterou a previsão de crescimento de 19% das carteiras de crédito em 2009. As operações de crédito encerraram junho de 2009 com R$ 12,1 bilhões, um nível 21,3% acima da posição do ano passado. O executivo avaliou que o primeiro semestre marcou uma situação econômica difícil, mas o sistema financeiro nacional se mostrou sólido e bem regulado para enfrentar a crise.

Como efeito do cenário instável, a inadimplência aumentou no segundo trimestre de 2009 para 4,1%, ante os 3,2% registrados no mesmo período de 2008. Lemos ressaltou que o pico de inadimplência do primeiro semestre foi registrado em maio, quando o índice chegou a 4,3%. Depois disso, houve recuo. O Banrisul encerrou o primeiro semestre com rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido de 13,9% e ativos totais de R$ 27,7 bilhões ( alta de 19,5%).

Ao comentar a vitória do Banrisul no leilão realizado para administrar a folha de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Estado, Lemos estimou que o banco receberá 1,8 milhão de beneficiários nos próximos cinco anos. Durante este período, todos os aposentados que solicitarem o benefício no Rio Grande do Sul serão pagos por meio do Banrisul. O banco já conta com aproximadamente 500 mil clientes que recebem aposentadoria. Entre os futuros beneficiários do INSS, a instituição espera reter cerca de 700 mil como correntistas. O banco vai administrar as novas folhas por 20 anos.

O presidente do banco também comentou a ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra nove pessoas, incluindo o vice-presidente e diretor de Gestão da Informação do Banrisul, Rubens Bordini. "Ele tem toda a confiança da diretoria do banco e da instituição", afirmou, acrescentando que o diretor não será substituído no cargo. A ação foi movida na semana passada na 3ª Vara Federal de Santa Maria (RS).

Bordini, que também participou da apresentação dos resultados, negou qualquer irregularidade. O diretor, que é economista e foi tesoureiro da campanha eleitoral da governadora Yeda Crusius (PSDB), não quis comentar o conteúdo da ação, argumentando que isso será feito por meio de seu advogado. "Eu tenho plena consciência de que tudo que fiz foi dentro da lei", declarou.

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