Quinta-feira, a noite mal começa e em alguns bares da capital paulista têm filas de pessoas aguardando para entrar. O motivo? O palco, a pista de dança, o balcão do bar e bandas que conseguem atrair centenas de pessoas - para lugares que começam a ficar pequenos.

E, mesmo em época de crise e som MP3, cantar em bar continua sendo um pré-requisito, espécie de “residência médica” que os músicos cursam antes do estrelato.

Com relativo sucesso no mercado recente, os grupos Inimigos da HP, Fabiana Cozza, Jeito Moleque, Jorge Vercilo e Ana Cañas saíram de botecos. Todos, por anos, lotavam os espaços onde tocavam até perceberem que a casa era pequena. Um dia, veio a proposta de uma gravadora. E tudo começou a mudar. No caso de Ana Cañas, aconteceu algo, no mínimo, curioso. “Fiquei com medo do sucesso. Nos bares as pessoas paravam para me ouvir cantar, só que eu não cantava músicas minhas e sim interpretava canções de outras pessoas. Não queria ficar engessada nisso e resolvi arriscar.” Ana diz que abandonar os bares foi uma decisão muito pessoal.

Entre as bandas atuais que estão se destacando - fazendo sucesso e atraindo público fiel - estão os Filhos de Ninguém, que traz Junno nos vocais, se apresentando toda quinta no Bar Baro, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. Já as meninas da banda Samba de Rainha, se apresentam todos os domingos no palco do Vermont-Itaim. O chileno Pedro La Colina e sua banda Sexteto Cañaveral, tocam às quartas músicas cubanas no bar Rey Castro; e a sambista Carolina Soares, aos domingos, no Bar Brahma. Eles estão há mais de cinco anos cantando em pequenos palcos, mas já possuem até fã-clube.

A noite ainda está pela metade quando essas bandas encerram a apresentação. Alguns continuam nos bares para curtir a discoteca da casa, mas muitos vão embora. Sobre o cachê, apesar de não revelarem os valores, as bandas dizem que não dá para reclamar. Dá para viver disso? “Ainda não”, diz Junno. Os valores, no entanto, variam de acordo com o público e o local. As informações são do Jornal da Tarde .

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