Por Andrew Beatty CIDADE DE PANAMA (Reuters) - A crise econômica global pode representar oportunidades para a América Latina uma vez que depreciações cambiais tornam as exportações da região mais competitivas e a redução do ritmo econômico diminui pressões inflacionárias, afirmou o banco Bladex, especializado em financiamento de comércio exterior na região.

A América Latina está sofrendo as consequências da crise do sistema financeiro dos Estados Unidos, reduzindo previsões de crescimento para o próximo ano, enquanto suas moedas tombaram contra o dólar em relação a níveis elevados alcançados em setembro.

Mas anos de reformas econômicas, disciplina fiscal e empréstimos conservadores ajudam a região a lidar com a crise, competir com exportadores asiáticos e impulsionar o comércio intraregional, disse o presidente-executivo do Bladex, Jaime Rivera.

"A situação hoje não é necessariamente pior que há oito meses para a América Latina", afirmou Rivera.

"Se tivermos que viver com 2 por cento de crescimento, isso provavelmente será melhor, sob uma perspectiva de negócios e social, que com o petróleo a 150 dólares o barril e inflação crescendo exponencialmente", acrescentou, referindo-se às altas nos preços dos alimentos e do petróleo no início do ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vê economias latino-americanas desacelerando de crescimento de 5,5 por cento em 2007 e 4,5 por cento este ano para 3,25 por cento em 2009 em meio à queda dos preços das commodities, crédito restrito e menor consumo dos Estados Unidos e Europa.

TEMOR DE CONTÁGIO

O peso mexicano perdeu quase 18 por cento de seu valor contra o dólar este ano diante de temores de contágio da crise econômica dos EUA e da crise financeira.

Mas Rivera, cujo banco fornece até 8 bilhões de dólares por ano em financiamento comercial de curto prazo, afirmou que companhias latino-americanas estão em uma boa posição para desenvolver novos mercados, atender à crescente demanda da Ásia por produtos e matérias-primas e competir com exportadores asiáticos.

"Têxteis é um setor que está sob pressão ao redor do mundo, mas há companhias na América Latina que estão ganhando terreno porque o nível de alavancagem era menor (antes da crise)", disse Rivera. "Elas vão sair dessa crise mais fortes do que entraram."

A China, uma parceira comercial importante da América Latina, fez o maior corte de juros em 11 anos na quarta-feira para impulsionar sua economia, enquanto a União Européia está despejando 200 bilhões de dólares para estimular a região e combater a crise.

Moedas latinas mais fracas tornam as exportações de países da região mais baratas para compradores europeus e norte-americanos com dificuldades de dinheiro mesmo que a inflação tenha elevado custos e salários.

Apesar dos alertas que a queda nos preços de commodities iria afetar duramente a região, impulsionando o desemprego e deixando os bancos com créditos de difícil recuperação, Rivera afirma estar confiante que os mercados locais de crédito continuarão fortes.

"Estou convencido que os bancos estão suficientemente capitalizados para lidar com os problemas", afirmou.

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