Banco do Brasil começará a reduzir spread nesta semana

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Banco do Brasil vai começar a reduzir seus spreads nos empréstimos ainda nesta semana, após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Reuters |

"É natural que cada vez que a taxa Selic caia, a taxa de juros ao tomador final caia", disse nesta terça-feira o presidente do banco estatal, Aldemir Bendine, a jornalistas, acrescentando que o próximo corte de juros pelo BB já incluirá a diminuição do spread aplicado pelo banco nos empréstimos.

Na quarta-feira, o Copom deve promover um novo corte na taxa básica de juros, hoje em 11,25 por cento ao ano. A maioria dos economistas aposta em redução de 1 ponto percentual.

Bendine foi indicado pelo governo federal no início do mês para substituir Antonio Francisco de Lima Neto na presidência do BB com a missão de reduzir o spread, a diferença entre a taxa que um banco paga para captar recursos e a que cobra de seus clientes na concessão de crédito.

O executivo esclareceu, contudo, que o maior banco público do país não passou a ter metas formais estabelecidas em contrato com o governo federal para reduzir o custo dos seus empréstimos, ao contrário do que sinalizou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar sua nomeação.

Conforme Bendine, o compromisso do BB de acelerar o processo de queda de juros e de spread será feito com responsabilidade.

"Não existe um contrato formal de gestão, eu tenho um compromisso pessoal com o ministro da Fazenda de trabalhar para o destravamento do crédito", disse.

Ele frisou que as metas de desempenho do banco para 2009 permanecem aquelas anunciadas antes da troca de comando do BB.

Esses parâmetros indicam um crescimento da carteira de crédito da instituição entre 13 e 17 por cento e uma taxa de spread global médio de 6,8 por cento a 7,2 por cento no final do ano --frente a 7,1 por cento no encerramento de 2008.

A intenção do BB é reduzir os spreads de todas as suas linhas de financiamento, mas o comportamento do spread global dependerá das mudanças na composição da carteira do banco. Ou seja, se houver um crescimento relativo de carteiras em que as taxas são consideradas de maior risco --como a de pessoa física--, o spread global pode até se elevar.

"O spread global médio não é uma boa medida do nosso desempenho", afirmou Bendine.

BRB AINDA NA MIRA

Bendine disse ainda que a instituição segue interessada na compra do Banco de Brasília (BRB). Na semana passada, o governo do Distrito Federal informou ter desistido de vender o BRB para o BB.

"Permanece o interesse do BB em persistir com essa negociação", comentou, adiantando que haverá uma reunião entre as partes para discutir o assunto na próxima semana.

O executivo afirmou que também na próxima segunda-feira o banco assinará com a Cyrela um financiamento no valor de 20 milhões de reais para a construção de 500 casas. O empreendimento será voltado para famílias com renda de três a 10 salários mínimos que devem ser atendidas pelo programa habitacional do governo "Minha Casa, Minha Vida".

O BB quer disponibilizar em um primeiro momento 500 milhões de reais em crédito para o programa. A ideia, segundo Bendine, é concentrar o financiamento à produção num primeiro momento, mas em cerca de 60 dias a instituição também irá passar a oferecer financiamento diretamente aos tomadores finais.

Às 12h21, as ações do BB exibiam alta de 0,72 por cento, cotadas a 18,25 reais. No mesmo horário, o Ibovespa exibia queda de 0,95 por cento.

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