Banco de tecidos do HC deve dobrar a capacidade de atendimento

O banco de tecidos do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo - o maior do País na especialidade músculo-esquelética - deve dobrar sua capacidade de atendimento neste ano. Mas a fila de espera para cirurgias de alta complexidade, hoje em torno de 350 pacientes, não deve diminuir em razão da falta de próteses especiais necessárias para a realização desses procedimentos.

Agência Estado |

“Atendemos cerca de 50 casos de alta complexidade por ano. O banco tem capacidade para triplicar o número, mas faltam as próteses. Os recursos do SUS são insuficientes ”, diz o coordenador da unidade, Alberto Croci. Como resultado, o tempo de espera por uma cirurgia chega a oito anos. O banco do HC realiza a captação e o processamento de ossos, tendões e faces (tecido que recobre o músculo), material usado em cirurgias de reconstrução da área ortopédica e odontológica. Graças à reforma feita em 2008, o banco poderá atender 2,4 mil pacientes por ano. Em 2008, foram 1.110.

Uma das novidades é uma sala de cirurgia que permite retirar tecidos de um doador que morreu de parada cardíaca. “Isso permitirá aumentar cinco vezes o número de captações”, diz Croci. Hoje são feitas apenas duas por mês. Além do rigoroso processo de triagem de doadores, há muito preconceito da população em relação à doação de tecidos. “Os familiares ficam apreensivos quanto ao estado em que o corpo será entregue, mas não tiramos material de partes visíveis.”

Segundo o médico, há somente seis bancos do tipo no País e alguns não funcionam. “Aqui no HC recebemos pacientes de todos os Estados e acreditamos que essa demanda ainda é subestimada. Deve haver milhares de pessoas em uma cadeira de rodas ou presas a uma cama que poderiam se beneficiar”, diz.

Karina Toledo

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