Bancário ganha R$ 550 mil do Itaú na Justiça

A profissão era bancário. Mas uma das funções que o ex-funcionário do banco Itaú teve de exercer foi mediar a resolução de um seqüestro. Por ter sido forçado a atuar na linha de frente de uma situação perigosa como essa, o trabalhador conquistou na Justiça o direito de receber uma indenização por danos morais no valor de R$ 550 mil.

Agência Estado |

A decisão - ainda passível de recurso - foi tomada pela Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que fixou o pagamento numa quantia equivalente a cem vezes o último salário recebido pelo funcionário.

O bancário trabalhava numa agência do Itaú de São Bernardo do Campo. No ano 2000, a gerente foi seqüestrada. Surpreendentemente, a direção da empresa designou o funcionário para negociar com os bandidos. "Com medo de perder o emprego, ele aceitou a tarefa", conta Maria Zélia de Oliveira e Oliveira, advogada do trabalhador.

O empregado só não imaginava até que ponto iria se envolver no caso. Quando foi acertado o resgate da gerente, a empresa determinou que ele mesmo fosse até o local combinado para entregar o dinheiro aos seqüestradores. Lá, o funcionário escapou por pouco de uma tragédia. Quando a polícia entrou no cativeiro e começou a trocar tiros com os bandidos, ele ficou no meio do fogo cruzado. Felizmente, conseguiu escapar - e devolveu a mala de dinheiro à empresa.

Entretanto, os seqüestradores acharam que ele havia ficado com o valor do resgate para si. Passaram então a persegui-lo e a ameaçar sua família. "O medo e os traumas adquiridos nesse episódio fizeram com que ele desenvolvesse síndrome do pânico e sofresse, mais tarde, um enfarte", relata a advogada. Mas a história não acabou aí. Dois anos depois do seqüestro, o Itaú o demitiu. Foi só então que o trabalhador entrou com um processo contra a empresa.

Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirma que colocar bancários no exercício de qualquer função de segurança da agência não apenas configura um desrespeito à lei como também é uma displicência com a vida do empregado. "O bancário não tem preparo para trabalhar como segurança."

O banco Itaú, que deve recorrer à sentença, divulgou em nota que não comenta decisões que ainda estejam transitando na Justiça.

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