SÃO PAULO ¿ Um show performático e animado que, entre outros motivos, consagrou ¿ ainda mais ¿ a diva pop Madonna na capital paulistana. Sticky & Sweet Tour acabou neste domingo a mega turnê internacional emocionando ao público presente no Morumbi que recebeu, em troca da calorosa recepção da cantora-performer, inúmeras demonstrações de reconhecimento: Madonna não se fartou em declarar seu amor pelo Brasil. Pelo lado brasileiro, ou seja, o da produtora Time 4 Fun, uma sucessão de equívocos deixou no ar um certo amadorismo estressando os Portadores de Necessidades Especiais, conforme nomenclatura usada por eles, pré-show.

Volto à questão da acessibilidade da qual tratei em setembro , quando relatei minha saga malfadada na compra dos ingressos para os shows: queria um local na Pista VIP, reservado aos deficientes físicos que lá havia, segundo informação que obtive na Central de Atendimento da Tickets 4Fun, mas, segundo informaram na bilheteria armada no estacionamento do Credicard Hall, a Pista  VIP "estava esgotada há duas horas" ¿ o que era estranho pois comprei os ingressos 11 horas do dia que abriu a bilheteria, depois de frustradas tentativas de compra pela Internet ¿, e depois que comprei meu bilhete eles anunciaram que uma nova cota de ingressos estava à venda, mas ninguém poderia imaginar tal blefe e, fã que sou, não correria tal risco.

AFB Press
AFB Press
Madonna realiza shows da turnê Sticky & Sweet no Brasil

Sem voltar mais a essa questão, vamos pular para o estádio e sua recepção catastrófica no dia do show.

Na noite do último dia 16 liguei para a Central de Atendimento da Tickets 4Fun para saber o que fazer e, surpresa!!!, informaram que eu não poderia entrar na Pista ¿ comprei Pista Comum. Liguei para o assessor de imprensa que me tranqüilizou dizendo que, segundo informações que eles mesmos receberam e transmitiram, os PNE ¿ Portadores de Necessidades Especiais ¿ deveriam encaminhar-se ao Portão 17. Primeiro sinal de amadorismo: para um show desse porte há que se treinar e repassar TODAS as informações às atendentes da Central de Atendimento.

Depois de uma noite mal-dormida, graças a essa informação que me fez apreensivo, cheguei ao Estádio com minha irmã Juliana e com meu primo, João Rafael. Chegamos por volta das 14h e, mesmo sabendo que os portões abririam apenas 17h, foi uma agradável espera em que fizemos amizades com outros PNE. Faltando 10 minutos para às 17h veio uma senhora da equipe de seguranças que A Time 4Fun contratou, anotou o número de nossos ingressos ¿ até agora não descobri o porquê ¿ e disse que estávamos em lugar errado (mesmo sem saber onde ficava o correto!) e começamos a procissão pelo Estádio.

No meu caso a "andança" foi menos pior, já que coube a meu primo e a minha irmã guiar-me, mas para Helô di Giorge que estava de muletas, por conta do rompimento de três ligamentos em seu pé direito, a procissão foi um martírio. "Em apenas algumas horas passei pelos problemas que os deficientes físicos enfrentam todos os dias", disse ela.

Quando chegamos ao portão 2, segundo as informações dos desinformados seguranças nossa entrada era por lá, outra falha de comunicação ¿ que fez Helô, já bastante cansada pelo esforço, chorar: o segurança do setor disse que nossa entrada era pelo Portão 17 ¿ de onde tínhamos vindo ¿ mas, depois de muita discussão, entramos por lá mesmo. Sinal imperdoável de amadorismo: por que essa displicência com os deficientes e aqueles cujos movimentos estão temporariamente comprometidos, sendo que eles pagaram para assistir ao show como qualquer pessoa?

Esses são apenas os "defeitos" mais gritantes da desorganizada organização da Time 4 Fun que mostrou insuficiência em promover eventos maiores que os shows de suas casas como o Credicard Hall e Citibank Hall ou os musicais, muito bem-feitos diga-se de passagem, do Teatro Abril.

Há alguns pontos positivos nessa série de equívocos da organização como um elevado colocado na pista para que os cadeirantes pudessem enxergar melhor o show. Elevando um palmo a estrutura, porém, não haveria problemas de encontrarmos uma cabeça ofuscando nosso campo de visão.

O ideal seria que fosse reservado um espaço na Pista VIP para PNE, mesmo que houve tal espaço reservado, a falha no esquema de vendas impediu que tais espaços fossem ocupados, dando livre-oportunidade aos cambistas de fazer seu ilícito comércio.

A excelência da Sticky & Sweet Tour e a simpatia da popstar Madonna fez valer a pena o sacrifício que, no entanto, poderia ser evitado pela Time 4 Fun. Aliás, graças ao prejuízo dos cambistas ¿ bem feito! ¿ que a Time 4 Fun atingiu um recorde nos lucros de vendas. Desesperados, os cambistas vendiam os mafiosos ingressos por até 1/3 dos seus valores com que foram vendidos na bilheteria.

Leia mais sobre: Madonna no Brasil - PNE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.