Baixo clero da Câmara ameaça votação sobre passagens aéreas

Por Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - Típicos defensores das benesses públicas, o baixo clero é a incógnita para a votação de terça-feira, quando a Câmara tentará aprovar mudanças nas regras das passagens aéreas para moralizar seu uso.

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Há quem diga que o grupo majoritário, mas com pouco poder político, seguirá o comando de seus líderes. Outros, porém, já contabilizam insubordinações.

"Os integrantes do baixo clero têm líderes. Não acho que haja clima para flexibilizar o uso de passagens", disse à Reuters o deputado de oposição José Carlos Aleluia (DEM-BA) nesta sexta-feira.

Longe dos holofotes da mídia e das negociações com o governo, o baixo clero articula apresentar uma emenda para diminuir o rigor das regras anunciadas nessa semana justamente para moralizar a utilização da cota de passagens.

"Todo mundo quer incluir mulher e filhos menores nas cotas das viagens. Mais de 400 (deputados) querem. Se a hipocrisia não ganhar da verdade, será possível conseguir 257 votos (dos 513) para mudar isso", disse o deputado Silvio Costa (PMN-PE), já alçado por colegas à condição de porta-voz do baixo clero.

Há pouco mais de dois meses no cargo, a votação será um importante teste para o presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP).

"Não existe recuo. Vamos levar à votação e trabalhar para a aprovar a proposta tal como está", afirmou ele à Reuters.

Após sucessivas denúncias de mau uso do dinheiro público, a notícia de que as regras mudariam provocou a ira de parlamentares. O Senado já aprovou mudanças, limitando viagens apenas aos senadores e permitindo os bilhetes internacionais com autorização prévia. Familiares e amigos ficaram de fora das passagens financiadas pela Casa. Na Câmara, a idéia é fazer o mesmo.

"Essa decisão do Michel é um erro. Um presidente da República, quando sai em missão oficial, não pode levar a esposa?", indagou Silvio Costa, um dos cinco deputados do enxuto PMN.

Segundo ele, o cônjuge deveria ter direito a viajar do Estado de origem do parlamentar até Brasília, ficando proibidas as viagens internacionais e para outros Estados.

Denúncias de um suposto esquema de comercialização das cortas dos parlamentares bancada com dinheiro público fortalecem o apelo popular por mais rigidez no uso do benefício.

Conforme reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada nesta manhã, gabinetes de alguns deputados teriam vendido para terceiros bilhetes aéreos da cota de parlamentares, numa triangulação criminosa com agências de turismo.

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