Bahia lidera acidentes com caminhoneiros

SALVADOR - Mais de uma centena de acidentes e pelo menos 20 mortes. Este é o saldo de apenas duas primeiras semanas do ano nas rodovias que cortam a Bahia.

Agencia Nordeste |

A precariedade na malha asfáltica e de sinalização é apontada por uns como responsáveis pelos acidentes. Outros, entretanto, acusam a irresponsabilidade e inexperiência em rodovias de quem pega o volante. A Bahia está entre as três cidades com maior índice de acidentes em estradas. Somente na última quarta-feira e num período de 24 horas, as polícias rodoviárias Federal (PF) e Estadual (PRE) registraram 27 acidentes com 21 feridos e oito mortes, de acordo com o jornal "Tribuna da Bahia".

A combinação de álcool com arrebite (anfetaminas) é apontada como causadora de muitos acidentes envolvendo caminhões. Em uma estrada que liga São Paulo ao Nordeste e em outra que liga Vitória a Belo Horizonte há uma triste estatística em comum: mais da metade dos acidentes fatais que aconteceram na BR-101 e na BR-262, ano passado, envolviam caminhões.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, um em cada três motoristas de caminhão bebe ou usa drogas em pleno trabalho. Ao todo, 53% dos acidentes na Bahia envolvem caminhoneiros. Entre as substâncias que alguns deles usam para evitar o sono ao volante estão as anfetaminas, a cocaína e até mesmo o crack.

Os caminhoneiros, por sua vez, assumem essa triste constatação. "Pelo menos 80% dos colegas fazem uso desse tipo de reforço para se manterem acordados e darem conta da entrega", diz o cearense Geraldo de Oliveira Costa, 15 anos de estrada. Ele acusa o radicalismo das transportadoras que aceitam carga de última hora com horário pré-determinado para o transporte. Quem chega atrasado perde de 15 a 20% do dinheiro acertado. Sem contar que o caminhoneiro paga diária nos postos (R$ 8,00) esperando que a mercadoria seja descarregada. Tudo está calculado no preço do frete. "Se demorarem oito dias, o prejuízo é nosso", diz o motorista, indignado. É o desconto por não ter cumprido o horário. Diz que a demanda está fraca e atrás de um carregamento tem sempre pelo menos 15 outros caminhoneiros.

Um grupo de caminhoneiros que aguardava carga ontem pela tarde, no posto Caramuru, na BR-324, entende que o governo poderá ajudar que essa triste constatação seja reformulada.

"Basta proibir que seja estipulado horário da entrega", afirma o pernambucano Gilberto Gomes, 28 anos de estrada. Sem utilizar desses artifícios para rodar os quilômetros necessários, diz que, para isso, dorme uma média de três horas por noite. "O organismo já se adaptou", alega.

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