Sob protesto, últimas barracas da orla de Salvador são derrubadas

Mais de 100 agentes de segurança cercaram a área da demolição, na praia de Ipitanga, na manhã desta terça

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Uma confusão marcou a demolição, nesta terça-feira (26), das barracas da praia de Ipitanga, na divisa entre os municípios de Salvador e Lauro de Freitas. A derrubada é a última etapa de processo judicial iniciado em 2006 e que terminou com a demolição, em 2010, das barracas da orla da capital baiana.

Leia também: Praias de Salvador sofrem com lixo, esgoto e "puxadinho"

Divulgação
Demolição de uma das barracas de Ipitanga: praia foi a última a ter suas instalações derrubadas
Ipitanga era um dos últimos “refúgios” de banhistas que buscam barracas na orla soteropolitana. A situação na praia é complicada porque, embora esteja na divisa entre as cidades, a área sempre foi administrada pela Prefeitura de Lauro de Freitas.

A confusão desta terça ocorre por dois motivos. A prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT), tentou impedir, sem sucesso, a derrubada de uma barraca que, segundo ela, fica em seu município e, portanto, fora do litígio. Também diz que a Prefeitura de Salvador, que cumpre a ordem de demolição, descumpriu acordo de preservar a base de concreto das barracas, para não danificar a pista da rua e estruturas de acessibilidade.

Divulgação
Com fim das barracas, tendência é que bebidas sejam vendidas sob guarda-sóis
Mais de cem agentes de segurança – entre policiais federais, militares e guardas municipais - cercaram a área da demolição desde as primeiras horas da manhã. A Polícia Federal, que dá apoio ao cumprimento da decisão da Justiça Federal, argumentou que a derrubada da barraca que a Prefeitura de Lauro de Freitas tentava preservar estava prevista na decisão.

Por volta de 12h, a prefeita Moema Gramacho, na praia desde às 4h, foi retirada à força da frente da barraca. Policiais lançaram gás de pimenta para evacuar a área.

A Prefeitura de Salvador, responsável pelos tratores que promovem a demolição, informou que” não há motivos para reclamação” da prefeita de Lauro de Freitas, pois a “forma de retirada das barracas da praia de Ipitanga cumpre rigorosamente a sentença judicial”. Segundo a gestão do prefeito João Henrique (PP), a retirada das estruturas de concreto das barracas seguiu determinação do oficial de Justiça presente à operação e da SPU (Superintendência do Patrimônio da União).

Prejuízo aos usuários

A retirada das barracas de Ipitanga é mais um capítulo de uma história conturbada, que expôs falta de coordenação entre setor privado e poder público e ausência de entendimentos entre órgãos e poderes públicos, com prejuízos à população.

A novela da demolição das 512 barracas da orla de Salvador começou em outubro de 2006, quando o Ministério Público Federal entrou com ação para suspender obras de reforma das barracas, intervenções patrocinadas por marcas de cerveja e apoiadas à época pela Prefeitura de Salvador. Alegava falta de licença ambiental e de autorização da União, dona da área.

Divulgação
Mais de cem agentes de segurança, entre policiais federais, militares e guardas municipais, cercaram a área da demolição desde as primeiras horas da manhã
Em abril de 2007, a Justiça Federal determinou a demolição das barracas. Como a decisão abrangia todas as barracas da cidade, a histórica discussão sobre os limites da praia de Ipitanga acabou entrando no processo, com perícias para definição de limites e mais recursos apresentados por barraqueiros e pelas prefeituras.

Em agosto de 2010, as últimas barracas de Salvador, com exceção das de Ipitanga, foram demolidas sob escolta policial e protestos dos comerciantes. A situação hoje na orla da cidade é de improviso, com comerciantes vendendo apenas bebidas sob guarda-sóis e banhistas insatisfeitos com a falta de estrutura.

A decisão para retirada das barracas de Ipitanga veio em fevereiro deste ano, quando a Justiça Federal mandou demolir as 32 unidades localizadas em Salvador. O cumprimento da decisão foi adiado para depois do Carnaval, e nesse intervalo uma estrutura provisória para os barraqueiros da praia foi montada em um estacionamento na orla. A maior parte das unidades já estava desmontada quando os tratores chegaram na manhã desta quarta.

    Leia tudo sobre: bahiasalvadorlauro de freitaspraias

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG