Sigla de Kassab ganha força na Bahia com "bancada de dissidentes"

Vice do Estado, Otto Alencar (PP) lidera articulação para levar ao novo partido políticos que estão sem espaço por apoiar Wagner

Thiago Guimarães, iG Bahia |

O PDB (Partido da Democracia Brasileira), sigla que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pretende criar após sua provável saída do DEM, dá seus primeiros passos na Bahia. Como mostrou reportagem do iG nesta quinta, o novo partido está com dificuldades de decolar no País, mas está ganhando musculatura na Bahia.

Divulgação/Governo da Bahia
Otto Alencar, vice-governador da Bahia
Quem lidera as articulações no Estado é o vice-governador, Otto Alencar (PP), que também acumula a pasta da Infraestrutura e influência na gestão Jaques Wagner (PT).

Alencar já fala abertamente na possibilidade de deixar o PP, partido ao qual se filiou em 2010, após deixar o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia para compor a chapa do petista.

“Eu os levei [políticos] para o apoio a Wagner e tenho o compromisso de arrumar uma saída para eles. E a melhor saída é essa [ingresso no PDB]”, disse o vice-governador, em declaração reproduzida no último domingo (16) pelo jornal “A Tarde”. Procurado pela reportagem, Otto Alencar não atendeu ao pedido de entrevista.

Nome recente no PP, Alencar não possui bom trânsito no setor que lidera o partido no Estado, encabeçado pelo ministro da Cidades, Mário Negromonte (PP). Nas negociações para divisão de cargos no governo, o PP baiano se posicionou no sentido de que a indicação de Alencar para a pasta da Infraestrutura era da cota pessoal do governador.

O PDB na Bahia daria abrigo a políticos que apoiaram Wagner nas últimas eleições a despeito de orientações contrárias de suas siglas, e que, por isso, correm risco de ficar sem espaço nas eleições municipais de 2012.

Um dos candidatos a integrar o novo partido é o deputado federal Paulo Magalhães (DEM-BA), primo de ACM Neto, líder da bancada democrata na Câmara. Magalhães já vem votando com o governo federal e nos últimos dias trocou acusações públicas de “traição” com o primo.

“O PDB na Bahia, como foi explicitado pelo próprio Otto Alencar, será um espaço para acolher políticos de partidos como DEM, PMDB e PR, que votaram em Wagner nas últimas eleições contra a linha de suas legendas. Outro motivo para a criação é a atração de políticos, a partir de suas próprias bases, para apoiar os governos estadual e federal”, avalia o sociólogo Joviniano Neto, professor de ciência política da Universidade Federal da Bahia.

Na avaliação do professor, a criação do PDB na Bahia tende a fortalecer a situação de “hegemonia” de Wagner no cenário político local. No PP, principal aliado do petista, a eventual saída do vice-governador já tem um contrapeso com o ingresso recente do prefeito de Salvador, João Henrique, que deixou o PMDB após atritos com o grupo do ex-ministro e ex-candidato ao governo Geddel Vieira Lima, que comanda a sigla na Bahia.

Uma reunião para articulação da fundação do PDB na Bahia está prevista para o próximo domingo (20) em Salvador, com presença de Kassab e de Otto Alencar.

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