Servidores em greve invadem e acampam na Câmara de Salvador

Objetivo é pressionar pela inclusão de verbas no Orçamento municipal. Justiça decretou a greve ilegal, mas sindicato manteve paralisação

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Servidores municipais de Salvador, em greve desde o último dia 7, estão acampados na Câmara Municipal da cidade desde segunda-feira (18) para pressionar prefeitura e vereadores a atenderem suas reivindicações.

Os funcionários pedem assistência médica e plano de cargos e salários. A prefeitura de Salvador, que enfrenta crise financeira , diz que só pode elevar a folha de pagamentos em R$ 30 milhões ao ano – seriam necessários R$ 97 milhões para atender a proposta dos servidores.

Thiago Guimarães/iG
Funcionários públicos acampados na Câmara Municipal de Salvador: em crise, prefeitura tem rombo nas suas contas
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No início da tarde desta terça-feira (19), após mais uma rodada fracassada de negociações, a Câmara continuava tomada por cerca de 200 manifestantes. No Plenário, com colchonetes espalhados pelo chão, servidores jogavam cartas e dominó e outros almoçavam usando papelão como talheres.

Categorias como agentes de trânsito, guardas municipais, salva-vidas e fiscais de uso do solo estão paradas. A prefeitura diz que o movimento atinge apenas 6.671 dos 37 mil servidores (18% do total), e que serviços essenciais, como saúde e educação, estão mantidos.

A Justiça considerou a greve ilegal no último dia 12, mas o Sindseps (Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador) manteve o movimento. Também autorizou o uso de força policial pela prefeitura para garantir o cumprimento da decisão – o sindicato recorreu e continua com a paralisação.

Houve momentos de tensão em frente à Câmara no início da tarde desta terça (19). Agentes de trânsito em greve que fizeram uma passeata até o local foram impedidos de entrar pela Polícia Militar, que mantinha a Casa fechada desde a manhã. Após negociação, as portas foram abertas e os servidores se juntaram aos grevistas que haviam passado a noite no local.

“A idéia é continuar até que a situação se resolva”, afirmou ao iG André Bonfim, secretário-geral da Asguard (Associação dos Guardas Municipais de Salvador).

A gestão do prefeito João Henrique (PP) diz que “vem concedendo desde 2005 diversos benefícios e elevando significativamente os salários” do funcionalismo, apesar de “possuir a segunda mais baixa receita per capita” entre as capitais. Afirma que, em média, servidores receberam 47% de reajuste desde 2005.

Em março deste ano, em tentativa de reduzir o rombo no caixa municipal, que chegou a R$ 276 milhões em 2010, a prefeitura de Salvador limitou o horário de funcionamento de setores da administração , que passaram a funcionar em regime de “turnão” - seis horas ininterruptas, sem horário de almoço. A medida foi o recurso encontrado pela prefeitura para reduzir os salários dos servidores.

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