Serviço de travessia Salvador-Ilha de Itaparica enfrenta crise

Embarcações quebradas provocam grandes filas e governo anuncia auditoria em contrato com concessionária

Thiago Guimarães, iG Bahia |

O serviço de travessia por ferry-boat entre Salvador e a ilha de Itaparica, na Bahia, passa por grave crise. Das oito embarcações que fazem o percurso, apenas duas funcionaram durante parte desta semana – as demais estavam paradas ou em manutenção. No início desta quinta-feira (24), quatro balsas passaram a operar, mas longas filas se formavam para embarque nos terminais marítimos.

A travessia pela baía de Todos os Santos é a principal ligação entre a capital baiana e a ilha de Itaparica. São cerca de 11 km de distância, percorridos em uma hora, contra aproximadamente 230 km do percurso por terra, que leva duas horas e meia em carro. Cerca de 6 milhões de pessoas e 700 mil carros utilizam o sistema por ano.

Alberto Coutinho/Agecom-Governo da Bahia
Ferry-boat Rio Paraguaçu, que faz a travessia Salvador-Itaparica e hoje está parado
A empresa TWB, com sede em São Paulo, é a concessionária responsável pela operação do sistema, após vencer concorrência em 2005 que a autorizou a explorar o serviço por 25 anos. Até então o Estado gerenciava a travessia. Somente em 2011, a empresa recebeu R$ 197,8 mil em multas da Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia) por problemas como atrasos e falta de manutenção da frota.

Na última sexta-feira, o ferry boat Pinheiro, de 1974, sofreu pane quando se preparava para atracar em Salvador. Segundo a própria TWB, o comandante remeteu a embarcação para a praia ao lado, o que evitou um acidente. O barco encalhou a 50 metros da costa e os 370 passageiros tiveram de ser retirados por lanchas e barcos particulares, ao custo de R$ 2 por pessoa.

Na terça-feira (19), novo problema: uma das embarcações mais novas da frota, o ferry Ivete Sangalo, teve problema em uma peça e chegou a ficar à deriva. Em 16 de fevereiro, um carro que estava em outro ferry boat, o Ana Nery, o mais novo da frota, caiu no mar durante a chegada a Salvador – o veículo estava com o freio de mão desativado, desrespeitando orientação do sistema, mas os passageiros alegaram excesso de velocidade.

Em razão dos poucos ferries disponíveis para o feriado da Semana Santa, quando o fluxo de passageiros aumenta, a Agerba proibiu a travessia de caminhões de carga e ônibus, o que vem prejudicando o transporte de mercadorias entre as cidades.

A tarifa do ferry boat por pessoa é de R$ 3,95 em dias úteis e de R$ 5,20 aos finais de semana. Carros pequenos pagam R$ 33,30 durante a semana e R$ 46,70 aos sábados, domingos e feriados. Segundo a TWB, 90 mil pessoas e 10 mil veículos devem ser transportados durante o feriado da Semana Santa.

A prestação de serviços pela TWB, contudo, está sob críticas do governo da Bahia e do Ministério Público. A Agerba afirmou que vai submeter o contrato com a empresa a uma auditoria externa e que “não descarta nenhuma possibilidade”, inclusive o rompimento da concessão.

“Há muito tempo estamos exigindo manutenção e as respostas [da TWB] têm sido evasivas”, afirmou a uma TV local o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessôa, na última terça-feira. A empresa argumenta que o Estado também tem descumprido contrapartidas que lhe dizem respeito.

O Ministério Público moveu duas ações contra a TWB e órgãos do governo do Estado em razão do suposto mau serviço. As ações aguardam julgamento desde 2009. De acordo com a promotora de Justiça Joseane Suzart, 24 petições foram encaminhadas à Justiça pedindo prosseguimento e rapidez nas ações, que tramitam na 8ª Vara da Fazenda Pública de Salvador. A Agerba e a Secretaria da Infraestrutura do Estado também respondem aos processos.

Outro lado

A TWB informou que investiu R$ 118 milhões no sistema desde 2005, 18% a mais do que os R$ 100 milhões previstos para todos os 25 anos de contrato. A empresa afirmou ainda que mantém equipes de manutenção 24 horas e que entregou dois novos ferries e trocou os motores de outra embarcação desde que assumiu o sistema.

A empresa informou ainda, por meio de assessoria de imprensa, que assumiu uma frota estatal antiga, formada em maior parte por embarcações dos anos 70, e cuja manutenção envolve cifras milionárias. Disse que a renovação da frota prevê também, por contrato, contrapartidas financeiras do Estado. No caso da construção do ferry Ana Nery, o mais novo da frota, a empresa disse que a contrapartida só foi paga depois de 70 dias da conclusão da obra, e que assumiu sozinha a obra em razão do atraso.

    Leia tudo sobre: ferry-boatembarcaçãosalvador

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG