Sem recursos federais, Salvador inaugura mais três “UPPs baianas”

Ministério da Justiça diz que promessa de campanha de Dilma não tem previsão de liberação

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Sem recursos federais prometidos pela União, o governo da Bahia inaugurou nesta terça-feira (27), em Salvador, mais três bases comunitárias de segurança - postos de policiamento inspirados no modelo das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro.

Divulgação/Governo da Bahia
O governador Jaques Wagner (PT-BA) participa nesta terça (27) de inauguração de base de segurança em Salvador
As três novas bases foram inauguradas no Nordeste de Amaralina, uma das regiões mais violentas de Salvador. Cercada por bairros de classe média alta, a área superior a 200 campos de futebol abrange três bairros e cerca de 120 mil moradores. As polícias Civil e Militar já haviam promovido grande operação na região em março para desarticular o tráfico e preparar a área para recebimento dos postos de policiamento.

A instalação de bases de segurança inspiradas no modelo das UPPs - sistema de policiamento comunitário adaptado para áreas de risco - é a principal aposta do governo Jaques Wagner (PT) para conter a criminalidade no Estado, problema histórico que se agravou nos últimos anos.

A primeira base foi inaugurada em abril deste ano, no Calabar, região menor (20 mil habitantes) e também situada entre bairros nobres da cidade, com histórico de confronto entre grupos de traficantes rivais. A favela não registra homicídios desde a instalação do posto, erguida com R$ 300 mil em recursos estaduais. O governo Wagner também já divulgou queda de 16% nos homicídios no Estado no primeiro semestre - segundo os dados oficiais, foram 2.273 casos nos primeiros seis meses deste ano, contra 2.706 em 2010.

Após resultados positivos terem elevado a UPP à condição de “grife” das políticas de segurança no País, a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff prometeu R$ 1,6 bilhão para fixar 2.883 desses equipamentos pelo Brasil. A promessa, contudo, ainda não saiu do papel.

Em junho, questionado pela reportagem do iG sobre os atrasos, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), afirmou que o programa passava por “readequação” porque alguns governadores haviam manifestado preferência por “outros tipos de equipamento”. A previsão era que o programa recebesse R$ 350 milhões em 2011. Cardozo também disse à época que os recursos para as bases não sofreriam com cortes no Orçamento promovidos pelo Planalto neste ano porque integram o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “O compromisso com os governadores será cumprido”, afirmou na ocasião.

O Ministério da Justiça informou nesta terça (27), por meio de assessoria, que não há previsão de prazo para liberação dos recursos, porque o processo de consulta aos Estados ainda está em curso.

Sem o dinheiro federal, o governo da Bahia procurou apoio da iniciativa privada na construção das novas bases, que custaram cerca de R$ 1 milhão no total. As construtoras OAS e Queiroz Galvão promoveram reformas e construções, a empresa Fênix doou tintas e as redes Ricardo Eletro e Insinuante forneceram móveis e equipamentos eletrônicos. A reportagem questionou o governo sobre detalhes das doações, como eventuais contrapartidas do Estado, e aguarda resposta.

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