Salvador tem onda de greves às vésperas do carnaval

Funcionários de hotéis, guardas municipais e até salva-vidas ameaçam parar durante os dias de folia

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Mila Cordeiro
As greves podem criar dor de cabeça para quem vai festejar no Pelourinho, em Salvador: até os agentes de trânsito ameaçam parar durante a folia

A um dia do início oficial do carnaval em Salvador, greves e ameaças de paralisação de funcionários públicos e privados colocam em risco a prestação de serviços durante os dias de folia.

Entre as categorias que já estão paradas ou ameaçam entrar em greve estão guardas municipais, funcionários de hotéis, agentes de trânsito, salva-vidas e trabalhadores da construção civil.

Em greve desde o último dia 10, os funcionários da construção civil radicalizaram o movimento nesta quarta-feira (2). Com apitos, um grupo de grevistas impede a montagem de camarotes no circuito Campo Grande (centro), o que está atrasando até a finalização da instalação das cabines de TV.

“Investimos na mobilização [no circuito] para [os trabalhadores da montagem] aderirem ao movimento”, afirmou Raimundo Brito, diretor de imprensa do Sintracom-BA (sindicato da categoria). Os trabalhadores querem 15% de aumento, e os empresários oferecem 11%.

O clima ficou tenso pela manhã com a chegada de policiais militares da tropa de choque. Os PMs, contudo, apenas observaram a movimentação dos grevistas.

Outra categoria do setor privado que já está em greve na cidade são os funcionários de hotéis. Os trabalhadores pedem aumento no piso salarial da categoria, hoje em torno de R$ 520 a R$ 600 mensais. “A partir de hoje podemos parar qualquer um dos hotéis”, disse Almir da Silva, diretor sindical do Sindhotéis.

Ameaças de greve se multiplicam no funcionalismo municipal

No setor público, as ameaças de greve se concentram em categorias do funcionalismo municipal, como guardas, agentes de trânsito e até salva-vidas.

Os funcionários não aceitam a decisão da Prefeitura de Salvador, que passa por uma crise financeira, de cortar em 30% os gastos no carnaval deste ano em relação a 2010, o que implicará em menos gente em serviço e menos horas extras pagas pelo trabalho durante a festa.Os funcionários reclamam porque muitos deles já contavam com o dinheiro extra pago pelos dias de folia.

Para agravar a situação, o funcionalismo municipal está dividido desde a última eleição do sindicato, no final de 2010. O setor derrotado na eleição não reconhece a atual direção e montou uma organização paralela que endureceu as negociações com a prefeitura.

Entre os setores dissidentes estão os salva-vidas, que dizem estar trabalhando com apenas 30% do efetivo de 273 pessoas. “A maioria dos postos estão descobertos”, disse Pedro Barreto, da Abasa (associação da categoria). Segundo Barreto, o carnaval é a época em que a cidade registra mais afogamentos, e o mar está revolto nos últimos dias. “O carnaval está na maré de março, o mar está muito forte”, diz.

Prefeitura diz que corte de despesas está mantido e culpa sindicato

O secretário de Comunicação de Salvador, Diogo Tavares, disse que já havia um acordo fechado com o funcionalismo municipal, que previa reajuste de 30% no valor das horas extras, mas que a divisão no sindicato da categoria prejudicou as negociações. Afirmou ainda acreditar que não haverá transtorno aos turistas.

“O problema começou pela falta de unidade dos servidores. Havia um acordo assinado”, afirmou. Segundo Tavares, a prefeitura chegou “ao limite” de caixa e não tem como reverter a decisão de cortar gastos na festa. “Os trabalhadores não podem exigir que todo mundo trabalhe. Os governos estadual e federal também cortaram gastos e ninguém está fazendo greve”, justificou.

A Prefeitura de Salvador fechou 2010 com um buraco de R$ 243 milhões em caixa. O déficit orçamentário já havia ocorrido em 2009, um dos motivos para a reprovação das contas pelo Tribunal de Contas do Município.

Em entrevista a uma rádio nesta quarta-feira (2), o prefeito João Henrique (ex-PMDB, em processo de filiação ao PP) fez um apelo para que o funcionalismo aceite as reduções na escala de trabalho. “Peço que nos compreendam neste momento. O Tribunal de Contas do Município está muito de perto fiscalizando tudo. Não podemos ter este ano o custo que tivemos o ano passado”, afirmou.

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