Salvador é a capital em que mais se mata com arma de fogo

Estudo foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios.Vitória e Maceió ocupam a segunda e a terceira posição

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Salvador e Vitória são as líderes nacionais em homicídios cometidos com armas de fogo entre as capitais do País. A violência armada respondeu por mais 90% dos assassinatos registrados nessas cidades em 2009, aponta estudo divulgado nesta quinta-feira (5) pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios).

Dados preliminares do Ministério da Saúde, que reúne informações de óbitos de Estados e municípios, mostram que a capital baiana teve 93,6% dos homicídios praticados com armas em 2009, índice que atingiu 91,7% na capital do Espírito Santo e 88,9% em Maceió (AL).

Percentual de Homicídios com Armas de Fogo em relação ao total de homicídios por capital

Capital 2007 2008 2009
 Salvador/BA 88,2%   92,6%  93,6%
 Vitória/ES 87,1%  83,3%  91,7%
 Maceió/AL 90,6%  92%  88,9% 
 Recife/PE 88%  86,7%  88,2% 
 Rio de Janeiro/RJ 86,7%  87%  87,3% 
 Belo Horizonte/MG 89,6%   88,2%   86,3% 
 Fortaleza/CE 78,2%  80,9%   85,3%
 Porto Alegre/RS 87,6%  86,1%  85,2% 
 João Pessoa/PB  83% 86,2%  83,8% 
 Florianópolis/SC  86,5% 82,8%   82,9% 
 Natal/RN  85% 83,1%  82,5% 
 Curitiba/PR  84,6% 83,4%  81,5% 
 Belém/PA 78,6%  80%   79,8% 
 Brasília/DF  72,7% 71,3%  75,6% 
 Cuiabá/MT 78,5%  74,2%  74,7% 
 Aracaju/SE 66,7%  71,1%   73,1%
 São Paulo/SP 75%  71,1%  71,9% 
 Campo Grande/MS 70,1%  72%  69,7% 
 Goiânia/GO 73,8%   80,9%  69,4% 
 Manaus/AM 64%  60,6%   69,3% 
 Porto Velho/RO 79,8%  69,7%  69%
 Teresina/PI  56,3% 50,6%  61,6% 
 São Luís/MA  54% 59,6%  61,2% 
 Rio Branco/AC 43,2%  38,5%   48,4% 
 Macapá/AP  38,1% 34,3%  43,5% 
 Palmas/TO  57,1%  24% 32,1% 
 Boa Vista/RR 23,1%   29,7%  28,6% 
 Totais 80,3%   80,2%   80,2% 
SIM/SVS/MS (elaboração CNM)

Na década de 1990, aponta o estudo, as armas de fogo eram usadas em cerca de 60% dos homicídios praticados no Brasil. Esse índice começa a crescer na década passada e atinge pico de 71,6% em 2007 – o percentual preliminar para 2009 é de 71,2, ou seja, sete em cada dez homicídios no Brasil são cometidos com armas.

A capital de Alagoas assume a liderança do ranking da violência quando o critério é a taxa de homicídios armados por 100 mil habitantes: 76,4 pelos dados iniciais de 2009, contra 57,3 na capital baiana e 50,8 em João Pessoa (PB).

O estudo aponta “crescimento acentuado” dessa taxa até 2008 e 2009 em sete capitais: Salvador, João Pessoa, Belém (PA), Natal (RN), Manaus (AM), São Luis (MA) e Goiânia (GO). Identifica ainda um grupo de oito capitais em que as taxas começaram a cair recentemente: Maceió, Recife (PE), Vitória, Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO) e Teresina (PI). Outro grupo tem queda contínua nos últimos dez anos: Cuiabá (MT), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro, São Paulo, Boa Vista (RR) e Palmas (TO).

“Esse aumento no uso de armas de fogo é o reflexo do incremento da violência armada que vem ocorrendo em Estados como a Bahia, o Espírito Santo, o Ceará, o Sergipe, o Pará e o Tocantins. Nesses Estados, a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes também cresce continuamente, sendo acompanhada pela crescente contribuição do uso de armas na prática deste tipo de crime”, diz o estudo.

Metodologia e desarmamento

Baseada em dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) do Ministério da Saúde, a pesquisa da CNM é uma tentativa de influenciar o debate sobre o desarmamento no País, que ganhou novo fôlego desde a morte de 12 crianças por um atirador no Rio de Janeiro no último dia 7 de abril.

Após o chamado “massacre de Realengo” , o governo federal antecipou a nova campanha de desarmamento e o presidente do Senado, J osé Sarney (PMDB-AP) , defendeu a realização de novo referendo sobre a proibição da venda de armas no País, proposta rejeitada em 2005.

O estudo assume uma posição pró-desarmamento, ao associar a estabilização verificada desde 2004 nas taxas de homicídios por armas de fogo no País à promulgação, em 2003, do Estatuto do Desarmamento, que dificultou o acesso a armas no Brasil.

A novidade da pesquisa da CNM é a atualização dos dados de 2008 do SIM, que já haviam sido divulgados, e a apresentação das informações preliminares de 2009. No Brasil, as estatísticas criminais baseadas em sistemas de registro de óbitos, embora consideradas importantes, estão sujeitas a limitações, como subregistro (sepultamentos sem registro) e problemas nas informações.

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