Rejeição a voto aberto une situação e oposição na Bahia

Projeto de deputada petista não tem consenso dentro do próprio PT baiano

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Um projeto que pretende acabar com o voto secreto na Assembleia Legislativa da Bahia conseguiu unir situação e oposição em torno da rejeição da proposta.

Projeto apresentado em 16 de fevereiro pela deputada Luiza Maia (PT) propõe que todas as votações na Casa sejam abertas. Hoje o regimento da Assembleia determina o voto secreto em 16 situações, como julgamento das contas do governador, vetos, deliberações sobre perda de mandato de deputado e indicações de desembargadores e conselheiros do Tribunal de Contas.

“Todas as nossas votações aqui são secretas. Acho isso um equívoco”, afirmou a deputada Luiza Maia, que foi vereadora em Camaçari (Grande Salvador) e está em primeiro mandato.

“Não se justifica o voto fechado, pois de tal forma [os eleitores] estariam sendo sonegados do seu direito de fiscalizar as ações e atos dos eleitos”, diz a justificativa do projeto.

A proposta, contudo, é rejeitada pela própria base do governador Jaques Wagner (PT). “O debate foi açodado e se tornou uma situação de tudo ou nada. Acho que a abordagem interna começou mal e vai acabar mal”, disse o líder do governo na Casa, Zé Neto (PT).

A rejeição conseguiu unir situação, oposição e independentes na Casa. As lideranças dos blocos aprovaram requerimento para que o projeto não passe por comissões e entre em votação já na semana que vem.

“Está dando muita discussão, muita conversa. Vamos votar logo, e vamos votar contra”, afirmou o líder da oposição na Assembleia, Reinaldo Braga (PR). Para o deputado, o voto secreto é necessário para “proteger os deputados de pressões externas”. “Na eleição da Mesa Diretora, por exemplo, se o voto for aberto o governador faz todos os cargos”, disse.

As lideranças do PT e do governo liberaram o voto de seus deputados sobre o tema. Nas contas da autora do projeto, a proposta terá o apoio de apenas 15 dos 63 deputados. O governo Wagner tem maioria na Casa, com 35 cadeiras, contra 18 da oposição e dez de setores considerados independentes.

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