'Presídio e cadeia é para bandido', diz policial grevista da Bahia

Mãe de dois policiais que estão dentro da assembleia disse que todos estão "exaustos" e que o clima ficou tenso com a possibilidade de invasão do Exército

Cintia Kelly, especial para o iG, em Salvador |

Um dos policiais que protestam em frente à Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, tomada por manifestantes desde o início da greve dos policiais militares do Estado , criticou nesta terça-feira a demora do governo em negociar com o movimento grevista.

Agência Brasil
Um dos policiais militares em greve mostra seu contracheque com os valores que recebe
Segundo o policial, que está lotado no 10º Batalhão da PM, em Candeias, na região metropolitana da Salvador, os policiais ainda exigem o pagamento de gratificações e querem que sejam revogados os mandados de prisão contra os agentes grevistas que estão no prédio.

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“Presídio e cadeia é para bandido, para vagabundo. Polícia não é ladrão”, afirmou, carregando um cartaz com a frase "Nós e a população pedimos paz".

Maria José dos Santos, 65 anos, mãe de dois agentes que estão dentro do prédio da assembleia, conseguiu enviar alguns materiais de limpeza para os filhos, um homem que tem oito anos de corporação e uma mulher que é policial há quatro anos. "Rezo para que essa greve acabe logo. Todos estão exaustos e tudo só depende do governador", disse.

"Minha filha e meu filho estão lá dentro. Trouxe o que eles pediram. Com o cansaço, estão precisando de analgésico. Hoje, eles pretendem fazer um feijão para todos lá dentro", acrescentou Maria José.

Ela explicou que viveu momentos de muita tensão ontem, com a informação de que o Exército iria invadir o prédio . "Minha filha me disse que estava um clima muito tenso porque todos eles estavam com medo de uma invasão. Quando os caminhões do Exército passaram para a parte de traz do prédio houve pânico. Hoje estou mais tranquila e ela me disse que lá dentro as coisas também estão mais calmas", disse a nutricionista, que evita ficar muito tempo ao telefone com os filhos para não descarregar as baterias dos celulares.

Com a energia cortada, os manifestantes estão tendo dificuldade para recarregar os celulares. Além disso, o banho está racionado. Quem toma banho em um dia, não toma no outro.

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