População impede entrada de carga de urânio no interior da Bahia

Moradores de Caetité acreditavam que material fosse lixo radiativo e barraram carregamento de 90 toneladas da estatal INB

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Moradores de Caetité (651 km de Salvador), no sudoeste da Bahia, impediram na noite deste domingo (15) a entrada na cidade de um carregamento de 90 toneladas de urânio da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil).

nullOs moradores acreditavam que a carga era de resíduos nucleares, ou “lixo radiativo”. Portando cartazes com inscrições como “Caetité não é lixão”, centenas de manifestantes montaram uma barreira humana e impediram a passagem de cerca de dez carretas que transportavam o material.

Em nota, a INB negou que o material seja lixo nuclear. Informou tratar-se de concentrado de urânio disponibilizado pela Marinha, que seria reembalado em Caetité, onde a estatal possui uma mina de urânio, para envio à Europa para enriquecimento.

A INB produz parte do urânio utilizado nas usinas nucleares de Angra 1 e 2. Como o Brasil ainda não domina comercialmente o processo de enriquecimento de urânio, necessário à produção do combustível nuclear, o minério é enviado para enriquecimento no exterior.

Segundo a INB, a produção da minha de Caetité, de 400 toneladas por ano, caiu para 180 toneladas em 2010, o que motivou o empréstimo do urânio da Marinha para evitar compras no mercado internacional. O minério foi enviado de Iperó (SP) a Caetité porque a unidade na Bahia possui os equipamentos para embalar o minério para envio ao exterior.

Com o bloqueio feito pelos moradores, o material acabou sendo levado para um depósito da Polícia Civil no município vizinho de Guanambi. A manifestação teve apoio da Igreja Católica no município.

A estatal informou que o Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) foram informados sobre o transporte da carga, como é praxe nesses casos. O material era acompanhado pela Polícia Rodoviária Federal e equipes técnicas.

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