Policiais trocam tiros entre si e um deles morre no confronto

O policial morto estava sendo investigado por extorsão em Salvador. Sindicato diz que ação foi desastrosa e ameaça convocar greve

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Um confronto entre policiais civis na noite de quarta-feira (2) em Salvador terminou com a morte de um investigador da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos. O sindicato da categoria classificou a ação como “desastrada” e ameaça paralisar atividades em protesto.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, Valmir Gomes, de 54 anos, estava acompanhado por outras duas pessoas, em um carro de polícia sem identificação. O uso do carro descaracterizado, embora comum em apurações sigilosas, pode ser indício de irregularidade na ação dos suspeitos. Suspeitos de extorsão, os três foram abordados por volta das 21h30, no bairro nobre da Pituba, por uma equipe de investigadores da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes que apurava a denúncia.

De acordo com a secretaria, os suspeitos reagiram à abordagem. Houve intenso tiroteio em meio a uma das avenidas mais movimentadas do bairro. Carros e fachadas de prédios foram atingidos. A troca de tiros terminou com a morte do investigador Gomes. Os outros dois suspeitos, que também seriam policiais, fugiram.

O caso

Os três são suspeitos de exigir R$ 3 mil de um rapaz de 19 anos flagrado ao tentar comprar lança-perfume. Com medo, o jovem procurou ajuda dos pais, que o orientaram a levar o caso à Corregedoria da Polícia.

Como os suspeitos haviam se apresentado como policiais, o caso foi encaminhado para a delegacia, que armou o flagrante.

O policial baleado chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu. A secretaria informou que a Corregedoria da Polícia está apurando o caso, e que o rapaz e os policiais que participaram da operação já foram ouvidos.

Após o tiroteio, houve mobilização de policiais e muita confusão em frente à Corregedoria. Policiais civis do COE (Comando de Operações Especiais) que participaram da operação foram hostilizados e chamados de “assassinos” por colegas.

Na manhã desta quinta (3), o Sindpoc-BA (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia) realiza assembleia para definir ações em relação ao episódio. Uma delas será o envio de representação ao Ministério Público pedindo o acompanhamento das apurações.

“Não acreditamos nas investigações que estão sendo feitas”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Bernardino Gayoso. Segundo ele, a ação foi “desastrada” e pode motivar uma paralisação da 72 horas da categoria, que já havia marcado uma possível greve para o começo de abril por questões trabalhistas.

O chefe da Polícia Civil, Hélio Jorge, disse não ter recebido comunicação sobre eventual paralisação da categoria. Confirmou as suspeitas sobre o policial morto e disse que o planejamento de segurança para o carnaval está mantido. “Temos 3.000 servidores que são excelentes profissionais e têm respeito muito grande com a sociedade baiana e os turistas”, disse.

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