Policiais da Bahia entram em greve e Justiça a declara ilegal

Categoria diz que não vai obedecer porque está "endiabrada": ela protesta contra morte de um dos seus membros por outros policiais

Thiago Guimarães, iG Bahia |

A Justiça da Bahia declarou ilegal a greve da Polícia Civil da Bahia, anunciada nesta quinta-feira (3) após a morte de um investigador da corporação durante confronto entre policiais .

O sindicato da categoria, contudo, afirmou que não irá cumprir a decisão do juiz Ricardo D’Ávila, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que atendeu pedido de liminar da Procuradoria Geral do Estado. “A categoria está endiabrada, está todo mundo nervoso, não há condições de trabalhar”, afirmou ao iG o presidente do Sindipoc-BA (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia), Carlos Lima.

AE
Carro atingido pela troca de tiros entre policiais em Salvador

Segundo Lima, os policiais só voltarão ao trabalho após o governador Jaques Wagner (PT) “apresentar os assassinos presos na Corregedoria” e “afastar a cúpula da Secretaria da Segurança Pública”. “Infelizmente, quem manda na Justiça é o governo”, afirmou.

Um delegado que pediu para não ser identificado afirmou à reportagem que o clima na corporação é de “caos”. Segundo ele, apenas serviços essenciais, como registro de ocorrências, estão sendo mantidos. O policial afirmou ainda que ações de investigação estavam paradas e que a atuação da categoria no carnaval ficará comprometida.

Episódio deflagra crise na segurança na Bahia

A crise na segurança pública na Bahia, Estado que já enfrenta aumento nos índices de violência, começou na noite de quarta-feira (2), com a morte do investigador Valmir Gomes, 54 anos, da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos.

Gomes e outras duas pessoas são suspeitas de praticar extorsão contra um rapaz de 19 anos, flagrado ao tentar comprar lança-perfume. A família do rapaz acionou a Corregedoria da Polícia, que armou um flagrante no local em que o dinheiro supostamente seria entregue.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os três suspeitos foram abordados por volta das 20h, no bairro da Pituba, região de classe média alta de Salvador, por policiais da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes e do COE (Comando de Operações Especiais, grupo de elite) que apuravam a denúncia.

Os suspeitos, segundo o governo, reagiram à abordagem. Houve intenso tiroteio em meio a uma das avenidas mais movimentadas do bairro. Carros e fachadas de prédios foram atingidos. A troca de tiros terminou com a morte do investigador Gomes. Os outros dois suspeitos, que também seriam policiais, fugiram.

O carro usado por Gomes, uma viatura policial sem identificação, ficou com inúmeras marcas de tiros. Coletes a prova de balas foram encontrados no veículo.

Após o tiroteio, houve mobilização de policiais revoltados com o episódio e muita confusão em frente à Corregedoria. Policiais civis do COE que participaram da operação foram hostilizados e chamados de “assassinos” por colegas armados. Policiais que estavam menos exaltados contiveram colegas e evitaram novo conflito.

Para o sindicato, o policial foi “executado”. “Ele levou quatro tiros pelas costas. A arma dele estava oxidada, os pentes estavam intactos”, disse o presidente do Sindipoc-BA.

Pela manhã, o chefe da Polícia Civil, Hélio Jorge, confirmou as suspeitas sobre o policial morto e disse que o planejamento de segurança para o carnaval estava mantido. “Temos 3.000 servidores que são excelentes profissionais e têm respeito muito grande com a sociedade baiana e os turistas”, disse.

O governador Jaques Wagner está em Brasília para a posse do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux e não havia comentado o caso até a tarde desta quinta (3).

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