Polícia vê "crime de verão" em onda de assalto a bancos na Bahia

Interior do Estado teve 11 roubos desde o começo de 2011. Bandidos fecham agências, fazem escudos humanos e colocam fogo em carros

Thiago Guimarães, iG Bahia |

A Bahia enfrenta uma onda de assaltos a banco no interior do Estado. São 11 assaltos na região desde o início do ano, aponta levantamento do iG feito a partir de registros do Sindicato dos Bancários da Bahia.

A Polícia Civil do Estado reconhece um aumento das ocorrências e diz estar trabalhando em conjunto com a Polícia Militar para combatê-las. Diz, contudo, que há uma concentração natural desses crimes nesta época do ano, como se fossem "crimes de verão", com ações de quadrilhas que buscam fazer “caixa” para suas atividades principais, como tráfico de drogas e de armas.

O último caso ocorreu nesta terça-feira (8), em Presidente Tancredo Neves (262 km de Salvador). Cerca de dez homens encapuzados chegaram em três carros e invadiram uma agência do Banco do Brasil, por volta das 10h (11h no horário de Brasília).

Dois criminosos chegaram atirando contra o pelotão da PM da cidade, que fica próximo à agência, enquanto o restante do grupo recolhia dinheiro de clientes e do banco, afirmou Ranieri de Jesus, funcionário administrativo da Polícia Civil no município. O valor roubado não foi divulgado.

A quadrilha levou um gerente e dois seguranças como reféns. Os três foram liberados em uma localidade vizinha. O gerente levou um tiro no pé durante a ação e foi hospitalizado. Segundo o funcionário da Polícia Civil, houve ao menos mais um ferido, um cliente do banco.

Na fuga, o bando ateou fogo a um Golf sobre uma ponte para impedir a passagem da polícia. Um quilômetro adiante, incendiou uma camionete Strada também utilizada na ação.

“Ficamos encurralados na delegacia durante o tiroteio. Só havia um escrivão e um agente no local e não temos viatura”, disse o funcionário Ranieri de Jesus.

Assaltos seguem roteiro semelhante de violência

O assalto em Presidente Tancredo Neves quase repetiu ação registrada nesta segunda-feira (7) em Formosa do Rio Preto (968 km de Salvador), região da divisa com o Piauí.

O alvo também foi uma agência do Banco do Brasil. Parte do grupo ficou do lado de fora da agência atirando para o alto enquanto o restante concretizava o assalto. O grupo fugiu usando três reféns como escudo, que foram libertados em seguida, e também incendiou um dos veículos usados na ação.

Ainda na segunda-feira (7), houve outro assalto parecido em outra extremidade do Estado , em Macarani (580 km de Salvador), sul da Bahia. Nenhum suspeito dos três assaltos registrados nos últimos dois dias foi preso.

As ações têm se caracterizado pela violência. Em Teodoro Sampaio (98 km de Salvador), agência do Banco do Brasil assaltada em 4 de janeiro ainda não voltou a operar, pois foi danificada por uma bomba durante a ação.

De acordo com o Sindicato dos Bancários da Bahia, os 11 assaltos registrados no interior do Estado em 2011 equivalem a 22% do total de 50 assaltos computados na região no ano passado. Somadas as dez ocorrências na Grande Salvador, ao todo foram 60 assaltos a banco no Estado em 2010, segundo o sindicato.

“Estamos preocupados, pois o número de assaltos aumentou muito neste ano. A Bahia é um Estado grande e com efetivo [policial] reduzido”, afirma Olivan Faustino, secretário-geral do Sindicato dos Bancários.

Os números mostram que, diferentemente da avaliação dos bancários, o efetivo policial no Estado não é baixo. Segundo o Anuário 2010 do Fórum Nacional de Segurança Pública, a Bahia conta com 30.476 PMs, o quarto maior efetivo do país, e 5.506 policiais civis, sexto maior número entre os Estados.

Crime de verão

Em entrevista ao iG, o delegado-geral da Polícia Civil baiana, Hélio Paixão, disse que a onda de assaltos pode estar relacionada a um fator sazonal. “É um período [começo do ano] em que pode haver maior incidência desses crimes, de grupos que vão buscar recursos para movimentar outros delitos, como tráfico de drogas e de armas”, afirma.

O chefe da Polícia Civil, que assumiu o cargo na semana passada, diz que por ora não há provas de eventual migração de criminosos pressionados por ações policiais em outros Estados, como o Rio de Janeiro. “O que notamos é que criminosos baianos podem estar fazendo ações junto com criminosos de outros Estados, como São Paulo, Pernambuco e Goiás.”

Paixão destacou que a Bahia é um Estado de dimensões continentais, com fronteiras extensas que favorecem a fuga de criminosos. Disse que o governo estadual mantém uma equipe multidisciplinar, com policiais civis e militares, dedicada à elucidação desses crimes. “Existem equipes em condições de se deslocar [ao local dos assaltos]”, afirmou.

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