Polícia faz megaoperação em área de tráfico em Salvador

Ação que envolve 220 policiais militares deve ser realizada até domingo na região de Nordeste de Amaralina

Thiago Guimarães, iG Bahia |

As polícias Civil e Militar da Bahia realizam desde as 4h desta sexta-feira (25) uma operação policial na região do Nordeste de Amaralina, uma das áreas mais violentas da capital baiana.

Cerca de 220 policiais militares, além de agentes civis, fazem incursões e bloqueios na região com o objetivo de cumprir 30 mandados de prisão, além de apreender drogas, armas e carros roubados. Apoio aéreo também é empregado na ação. Até domingo (27), cerca de 900 policiais deverão integrar a operação, divididos em turnos.

Um dos líderes do tráfico na região, Luiz Fernando Anunciação da Cruz, conhecido como “Camisinha”, foi morto ao supostamente reagir à presença policial. Outros dois supostos comparsas do traficante, de 21 anos e 22 anos, também morreram no confronto. Outros 27 suspeitos foram presos, entre eles um irmão do traficante “Camisinha”.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, “Camisinha” era filho de um sargento da PM, que contribuía com as ações criminosas. Tinha passagem por roubo e, de acordo com a secretaria, comandava a maior parte das bocas de fumo da região, herdadas do traficante conhecido como Val Bandeira, preso atualmente no Presídio Federal de Catanduvas (PR). Também é apontado como envolvido em chacina que deixou quatro mortos na periferia da cidade, em outubro de 2010.

Bloqueios policiais nas saídas da região, que engloba quatro bairros, deixaram o trânsito lento em diversos pontos da capital baiana. Os policiais foram distribuídos por 32 locais. “O diferencial foi termos amanhecido com incursões dentro dos bairros”, afirmou o tenente-coronel Sergio Baqueiro, do setor de comunicação da PM baiana.

Com área superior a 200 campos de futebol e mais de 100 mil habitantes, o Nordeste de Amaralina é uma das áreas mais violentas de Salvador. Funcionários de serviços como TV a cabo, por exemplo, reclamam da dificuldade de circular na região e da presença de homens ostentando armas à luz do dia.

Episódios de balas perdidas e policiais baleados são comuns na região – na última segunda-feira (21), um PM de 41 anos foi atingido na cabeça durante uma ronda na área e perdeu a visão de um olho. Um tio do homem apontado como responsável pelo ataque ao PM foi detido na operação.

Cercada por bairros de classe média alta, a região do Nordeste de Amaralina é uma das candidatas a receber um posto de policiamento comunitário, aposta do governo Jaques Wagner (PT) para reverter o aumento nos índices de violência no Estado.

A gestão procura associar a iniciativa ao modelo das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro. A primeira área escolhida para instalação do posto, contudo, é o bairro do Calabar, região menor (20 mil habitantes) e também situada entre bairros nobres da cidade, com histórico de confronto entre grupos de traficantes rivais.

A operação no Nordeste de Amaralina, segundo o governo, não tem previsão de término. O balanço final deverá ser divulgado somente na segunda-feira (28).

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