Piloto agiu com "negligência e imprudência", diz delegado

Queda de aeronave no último dia 17 em Porto Seguro provocou a morte de sete pessoas

Thiago Guimarães, iG Bahia |

AE
O vocalista do Biquini Cavadão, Bruno Gouveia, leva o caixão do filho, morto em acidente na Bahia
A investigação sobre a queda de um helicóptero no último dia 17 em Porto Seguro (extremo sul da Bahia) caminha para responsabilizar pelo acidente o empresário Marcelo Mattoso de Almeida, que conduzia a aeronave e foi uma das sete vitimas. 

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De acordo com o delegado Ricardo Feitosa, responsável pelo inquérito, Almeida deverá ser indiciado sob suspeita de homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Caso isso ocorra, como o empresário morreu no acidente, haverá a extinção da punibilidade.

O empresário transportava quatro mulheres e duas crianças para um resort de sua propriedade em Trancoso, distrito de Porto Seguro. O grupo acompanhava o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para comemorar no resort o aniversário do empreiteiro Fernando Cavendish. Uma das vítimas foi Mariana Noleto, que era namorada de um dos filhos do governador.

O governador e seu filho só não embarcaram no helicóptero porque não havia espaço e foi decidido que mulheres e crianças seguiriam primeiro. Os dois embarcariam em uma segunda viagem, na mesma aeronave.

Após o acidente descobriu-se que o piloto e empresário Almeida estava com suas quatro licenças de vôo vencidas . Também foi divulgado que ele usou o registro de um piloto que havia contratado recentemente ao pedir autorização para decolar à torre de controle do aeroporto de Porto Seguro.

De acordo com o delegado Feitosa, o suposto fornecimento de dados falsos pelo empresário ainda será apurado, mas as informações colhidas até o momento apontam para sua responsabilidade no acidente. “Ele agiu com negligência, imprudência e talvez imperícia”, afirmou.

O delegado afirmou ainda que o inquérito não investiga eventuais falhas na fiscalização do voo, mas apenas possíveis responsabilidades criminais no episódio. Tal investigação, segundo Feitosa, cabe à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e à Aeronáutica.

O piloto contratado por Almeida, que vive no Rio de Janeiro, será ouvido por carta precatória, e os controladores de voo que autorizaram a decolagem também deverão prestar depoimento. A Polícia Civil baiana também aguarda a conclusão da perícia da Aeronáutica – a cabine do helicóptero, localizada a cerca de 250 metros da costa e a dez metros de profundidade, na altura da praia de Itapororoca, ainda não foi retirada.

A maioria das pessoas ouvidas pela polícia até o momento são testemunhas da queda da aeronave. Todas confirmaram as más condições climáticas, com chuva e neblina, na noite do acidente. A polícia também apura a informação sobre a suposta ausência de sistema de navegação por instrumentos no helicóptero acidentado, item necessário para voos em condições de mau tempo.

O delegado diz não ver necessidade de ouvir o governador Sérgio Cabral na investigação. “O governador mal se envolveu na questão. Apenas estava no aeroporto, ia embarcar e não embarcou”, afirmou. A Polícia Civil tem 30 dias para conclusão do inquérito, prazo que pode ser ampliado por solicitação do delegado responsável.

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