PF flagra extorsão a empresas de areia por índios tupinambás

Confronto entre índios e a Polícia Federal no sul da Bahia deixou um ferido

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Um confronto entre policiais federais e índios tupinambás na manhã desta terça-feira (5) terminou com um indígena ferido em Ilhéus (460 km de Salvador). Dois índios foram presos, acusados de extorsão, formação de quadrilha e tentativa de homicídio.

A Polícia Federal investigava denúncia de extorsão a empresas de areia pelos índios. Um grupo de tupinambás estaria cobrando R$ 1.000 por mês para liberar a entrada de caminhões no areal conhecido como “Rabo de Gata”, no distrito de Olivença. Recentemente teriam passado a exigir o uso do maquinário da empresa para extrair areia em fazenda invadida, o que motivou a denúncia da mineradora.

Nesta manhã, segundo o delegado Fábio Marques, equipes da PF acompanharam caminhoneiros e flagraram a cobrança do “pedágio” pelos índios. De acordo com o delegado, um indígena reagiu à prisão e atacou um policial com um facão, sendo baleado na perna.

O índio baleado foi medicado, chegou a ser levado à delegacia, mas voltou ao hospital para observação - ele ainda sangrava. Ao lado de outro tupinambá, foi autuado por flagrante pelos crimes de extorsão, formação de quadrilha e tentativa de homicídio. A reportagem não conseguiu contato com representantes dos tupinambás.

De acordo com a PF, a região é cenário de conflitos fundiários há pelo menos dois anos. O objeto da disputa, que opõe fazendeiros a índios, é uma área de 47 mil hectares entre os municípios de Ilhéus, Buerarema e Una. Em 2009, a Funai (Fundação Nacional do Índio) avalizou estudo antropológico que reconhece a área como tupinambá. As terras representam 19% do território de Ilhéus.

O que ocorre, segundo a PF, é que os índios se comportam como proprietários da área, ainda que o processo de demarcação da terra indígena não tenha sido finalizado. Estima-se que 3.000 índios vivam na região. Em 2010, ao menos três tupinambás foram presos. Em fevereiro deste ano, uma cacique foi detida sob acusações de esbulho possessório (invasão) e formação de quadrilha.

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