Operários da construção civil fecham avenida de Salvador

Eles pedem 15% de aumento e melhorias nas condições de trabalho. Os empresários aceitam dar 11,07% de reajuste

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10), trabalhadores da construção civil fizeram uma passeata nesta quinta em Salvador que bloqueou uma das principais avenidas da cidade e provocou grandes congestionamentos.

AE
Trabalhadores da construção civil param trânsito de Salvador para pedir aumento

Por volta das 8h30 (9h30 pelo horário de Brasília), centenas de operários fecharam as duas vias da avenida Paralela. Manifestantes seguiram de ônibus até o centro da cidade, onde a passeata reuniu mais grevistas e também causou transtornos ao tráfego de veículos. Há 160 mil trabalhadores formais na construção civil do Estado, mas ainda não há estimativas de quantas pessoas aderiram à paralisação.

A greve geral da categoria foi decidida em assembleia na noite de terça-feira (8). O Sintracom-BA (sindicato da categoria) pede 15% de aumento e melhorias nas condições de trabalho. Qualificação profissional, contrato de experiência com limite máximo de 30 dias e reconhecimento de novas funções são as principais reivindicações.

“O mercado da construção está em alta e os empresários não aceitam dividir uma parte do seu lucro com os trabalhadores”, afirmou o Sintracom-BA em comunicado.

O PIB (Produto Interno Bruto) do setor da construção civil cresceu 10% na Bahia no primeiro semestre de 2010, último dado disponível. De janeiro a agosto de 2010 houve lançamento de 7.592 novas unidades habitacionais na capital baiana, um aumento de 146% em relação ao mesmo período de 2009.

Em audiência na terça-feira (8), os empresários aceitaram dar 11,07% de reajuste, proposta feita pela mediação da SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego). Até então, propunham aumento de 6,47% como reposição da inflação, mais 1% de ganho real.

O presidente do Sinduscon-BA (Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia), Carlos Alberto Vieira Lima, afirmou que os trabalhadores haviam sinalizado aceitar a proposta de aumento de 11%, e que a greve “surpreendeu” os empresários.

“Estamos sem saber o que eles querem e ficamos surpresos com essa atitude”, afirmou Lima ao iG.

O representante da indústria da construção relatou que, nesta quinta (10), líderes sindicais se dirigiram aos canteiros de obras para pressionar trabalhadores a aderir ao movimento. “É uma atitude irresponsável. Eles têm o direito de fazer greve, mas não estão respeitando o direito de quem não quer fazer”, afirmou.

O Sintracom-BA informou, por meio de assessoria de imprensa, que é “normal” líderes sindicais realizarem reuniões em frente a canteiros de obras, e negou que esteja pressionando operários a não trabalhar. Afirmou ainda que a reivindicação de 15% de aumento é direito dos trabalhadores, e que os empresários só elevaram a proposta por sugestão dos mediadores da negociação.

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