Na Bahia, Jaques Wagner atrela seu futuro ao de Dilma

Principais ações do segundo mandato de Jaques Wagner têm inspiração e apoio federal

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Agência Estado
Jaques Wagner (PT), governador da Bahia
O início do segundo mandato de Jaques Wagner (PT) mostrou que a aproximação com o governo Dilma Rousseff é aposta estratégica do governador da Bahia. Nesses cem primeiros dias, Wagner atrelou-se ao Planalto em seu principal projeto, a chamada UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) baiana, e na medida mais impopular, um corte de gastos superior a RS 1 bilhão.

Embora o conceito de UPP tenha nascido no Rio de Janeiro, na Bahia ela terá apoio federal - o aumento da violência é um dos problemas mais graves enfrentados pelo Estado.

O anúncio de destaque de Wagner na área de segurança, a mais sensível para o governo baiano, é um projeto com 99% de recursos federais, a construção de bases comunitárias de segurança, que Dilma associara na campanha às UPPs cariocas.

A polícia da Bahia ocupou em março duas favelas de Salvador dominadas por traficantes. Em uma delas promete instalar até abril a primeira de 34 bases, a R$ 600 mil a unidade. No modelo previsto, segundo o governo baiano, o Ministério da Justiça banca a construção e o Estado entra com o pessoal. Ainda não houve, contudo, repasses de recursos pelo Planalto.

O governo do PT na Bahia vem procurando reforçar a divulgação de suas ações em segurança, área em que Wagner acumula críticas e índices desfavoráveis. De 2005 a 2009, por exemplo, houve alta de 142% nos assaltos a banco e de 85% nos roubos de veículos. A taxa de homicídios subiu 42% de 2004 a 2009 e o índice de mortes por armas de fogo avançou 347% entre 2000 e 2008.

Além de promover as operações nas favelas, o governador trocou a cúpula da segurança pública – o novo secretário da área é um delegado federal de 33 anos - e a titularidade de 23 delegacias de Polícia Civil. Diante de 26 roubos cinematográficos a banco registrados no Estado apenas em 2011, anunciou um convênio com instituições bancárias e policiais para coibir o crime. Também concentrou as investigações de homicídios em apenas uma unidade.

Da segurança pública também veio a maior turbulência do segundo mandato de Wagner. Às vésperas do Carnaval, um tiroteio entre policiais civis terminou com um investigador morto e uma crise entre o sindicato da categoria e a cúpula da segurança no Estado. O sindicato declarou greve e o governo conseguiu liminar na Justiça que enfraqueceu o movimento.

Na ocasião, Wagner defendeu a ação policial com frase de efeito: “Não há hipótese alguma de a gente conviver com laranja podre dentro de nenhuma unidade da segurança pública”. O policial morto era investigado por extorsão. Inquérito do caso indiciou outros dois policiais e quatro informantes sob acusação de formação de quadrilha, entre outros crimes.

Corte de gastos

O governo baiano associou seu principal projeto em 2011 a recursos federais e também recorreu ao Planalto para justificar a medida mais impopular até agora: um corte de gastos de R$ 1,06 bilhão – 4% do total do Orçamento estadual.

A área econômica de Wagner justificou a medida pela perspectiva de menor crescimento do País em 2011 e pelo cortes orçamentários de R$ 50 bilhões feitos por Dilma, que afetam as transferências constitucionais aos Estados.

"Dois mil e onze não será um ano fácil. Será, provavelmente, o mais duro dos quatro, para que tenhamos três outros melhores", afirmou Wagner ao justificar o corte. Com a tesoura no Orçamento, o governo baiano suspendeu novos investimentos até julho e também a abertura de concursos públicos.

Cenário político

Se a situação de caixa de Wagner é apertada em 2011, no campo político o cenário é tranquilo. Diferentemente do primeiro mandato, quando teve que construir maioria no Legislativo após a eleição, desta vez o petista já conta com maioria na Casa: ao menos 35 dos 63 deputados estão com o governo.

Na reorganização do secretariado prevaleceu a continuidade: apenas dez das 25 pastas ganharam novos titulares. O PP do vice-governador e secretário da Infraestrutura Otto Alencar assumiu protagonismo e o papel de principal sigla aliada ao governo. Atraiu para seus quadros o prefeito de Salvador, João Henrique, que deixou o PMDB e se aproxima politicamente de Wagner.

Os primeiros dias do segundo mandato de Wagner também indicam que a aposta no atrelamento ao Planalto é sustentada por uma forte relação pessoal com a presidenta, da qual poucos governadores desfrutam. O governador foi anfitrião da presidente no primeiro contato de Dilma com eleitores de baixa renda desde a posse, em ato em 1 º de março em Irecê, acompanhou Dilma em sessão de teatro em Brasília em horário de folga e estará com a presidente na visita à China, a viagem mais importante da presidente ate o momento.

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