Moradores de rua montam "sala de TV" em praça de Salvador

Eles vivem em um dos principais bairros da capital baiana e usam uma ligação irregular de energia para ver programas policiais

Thiago Guimarães, iG Bahia |

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Morador de rua improvisa TV em calçada de Salvador: ligação irregular de energia e programas policiais

Sem teto, mas com televisão. Com um aparelho surrado e uma velha antena, dois moradores de rua de Salvador improvisaram uma sala de TV em pleno largo da Mariquita, no boêmio bairro do Rio Vermelho.

No início da tarde desta terça-feira (8), Marcos Miranda de Souza, 33 anos, assistia a um programa de jornalismo policial enquanto esperava o movimento de carros aumentar na praça. Vivendo na rua há três anos, diz tirar até R$ 40 por dia como flanelinha.

A “sala de TV” está montada há um ano e meio, diz Marcos. A energia vem de um “gato” (ligação irregular) feita em ponto de luz usado por uma barraca de tapioca. Estrategicamente posicionado entre uma cadeira (que nivela a visão) e um tapume de madeira (para amenizar a claridade), o aparelho capta até quatro canais.

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Ligação irregular que fornece energia à televisão
Quem comprou a TV foi “Carlinhos”, o outro morador do largo. “Um rapaz chegou vendendo e ele comprou.” O colega dormia sob uma marquise e a reportagem preferiu não incomodar. O sono é curto na vida na rua.

"Aqui a gente trabalha até de madrugada e acorda logo no começo do dia", conta Marcos.

Natural da capital baiana, ele diz que “movimentos com gente errada” o levaram a viver na rua. Lamenta o “inverno” chuvoso que torna o abrigo difícil, mas afirma que “no verão dá até para levar”. Seus pertences se resumem ao conteúdo de meia dúzia de sacolas plásticas jogadas em uma moita.

O provedor do almoço de cada dia é o dono de um bar próximo, para quem Marcos organiza mesas e cadeiras. Na primeira refeição, ele e o colega de rua compram pão e dividem porções de suco industrializado.

Alheio à vida da metrópole de 2,6 milhões de habitantes, Marcos se diverte ao avistar o helicóptero que, ao vivo, transmite imagens de uma favela vizinha para o programa policialesco captado na TV improvisada. “É bom para passar o tempo”, diz.

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