Milhares de pessoas participam da festa de Iemanjá em Salvador

Com mais de 80 anos de tradição, celebração é a maior homenagem ao orixá das águas salgadas no Brasil

Thiago Guimarães, iG Bahia | 02/02/2011 16:10

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Milhares de pessoas estão participando com centenas de oferendas das homenagens a Iemanjá, em Salvador. Até o final desta quarta (2), cerca de 500 mil pessoas devem ter passado pela festa. Entre elas, o cantor Otto, que levou seu bloco pela primeira à capital baiana.

A festa na capital baiana é a maior do país em homenagem ao orixá das águas salgadas, cujo dia é comemorado em 2 de fevereiro. Orixás são as divindades cultuadas pelo povo africano ioruba e trazidas ao Brasil por negros escravizados. Adeptos do candomblé, baianos de todos os credos e turistas formam grandes filas ao lado da Casa de Iemanjá, no bairro do Rio Vermelho, para ofertar presentes como flores, sabonetes, perfumes, espelhos, bonecas e até jóias.

As oferendas são organizadas em balaios de vime e jogadas no oceano durante todo o dia, ritual que termina em procissão marítima que parte da praia do Rio Vermelho no meio da tarde. De acordo com a tradição, se os balaios afundarem, é sinal de que a divindade aceitou os presentes.

A festa começou ainda na véspera, na noite de terça-feira (1º), com movimentação de devotos que já deixavam suas oferendas para evitar filas e de comerciantes como Justiniele Araújo, 30.

Ao lado de duas sobrinhas, duas tias e um primo, ela se preparava para dormir na rua para garantir o ponto de venda no dia seguinte. Havia percorrido 20 km em dois ônibus desde a periferia da cidade e esperava vender até R$ 900 em flores na festa. “Queria ter chegado ontem [dia 31], mas não deu”, disse

Na economia informal da festa, uma flor sai por R$ 1 e três por R$ 5. Perfumes são vendidos a R$ 10 e mini Iemanjás, pela metade. Barqueiros cobram de R$ 15 a R$ 20 de devotos para levar oferendas ao mar.

Fogos marcam o início da festa

Fogos e rojões marcaram o início da festa no amanhecer desta quarta-feira. Terreiros de candomblé ocupavam lugares da areia da praia com atabaques e oferendas, enquanto pais e mães-de-santo ofereciam o tradicional banho de folhas.

Segundo Marcos Souza, o Branco, presidente da Colônia de Pescadores Z-1, responsável pela organização da festa, a expectativa é que a comemoração reúna meio milhão de pessoas ao longo do dia. “Em 2010, segundo a PM, foram 460 mil pessoas, número que neste ano deve aumentar”, afirmou.

Outros números dão a dimensão da festa da rainha do mar na capital baiana: 1.082 policiais militares e bombeiros deslocados para a segurança, 149 banheiros químicos, 3 km de ligações elétricas, 382 licenças para vendedores ambulantes e um posto de saúde móvel com dez leitos.

O lado profano da celebração é garantido por blocos de percussão que animam as ruas do boêmio bairro do Rio Vermelho durante a festa. Feijoadas também são outra marca registrada da comemoração. Trios elétricos são proibidos nos festejos – apenas carros de som de pequeno porte podem circular.

Otto em Salvador

O cantor pernambucano Otto marcou presença nesta quarta-feira (2) nas comemorações do dia de Iemanjá.Pela primeira vez, o bloco “Me Beija que Eu Sou Cineasta”, que tem Otto como cantor oficial, deixou o Rio de Janeiro para se apresentar em outra cidade.

Com cerca de duas horas de atraso, o que levou foliões a compararem o cantor a Tim Maia (1942-1998), Otto chegou por volta das 14h30 ao bairro do Rio Vermelho, palco da festa em homenagem ao orixá na capital baiana.

O bloco “Me Beija que Eu Sou Cineasta” é uma iniciativa de pernambucanos ligados ao meio cultural e radicados no Rio. Desde 2006, desfila às quartas-feiras de Cinzas no Baixo Gávea, na zona sul da capital fluminense.

Caracterizado como Netuno, o deus dos mares, Otto encabeçou percurso pelas ruas do Rio Vermelho e puxou sambas clássicos, como “Sem Compromisso”, de Chico Buarque, e “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco.

Tudo começou como uma brincadeira de amigos. “Estávamos em um final de noite e disse a uma moça que passava: ‘me dê um beijo’. Ela respondeu: ‘por quê’? ‘Porque eu sou cineasta’, respondi”, conta o pernambucano Lírio Ferreira, diretor de filmes como Baile Perfumado (1997) e Árido Movie (2006), presente aos festejos na capital baiana.

A festa em homenagem à rainha do mar em Salvador contou ainda como mini-trios elétricos liderados por expoentes da música local, como Psirico e Olodum.

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