Mesmo proibida, guerra de espadas gera confusão na BA

Decisão do MP não altera prática e uso das espadas continua ocorrendo. Policiais enfrentam grande dificuldade para cumprir lei

AE |

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Quando o Tribunal de Justiça da Bahia acatou, na última terça-feira, o pedido do Ministério Público Estadual para proibir o comércio e o uso dos fogos de artifício conhecidos como espadas - uma variação mais potente dos tradicionais buscapés, feitos de bambu, pólvora e limalha de ferro -, o comando da Polícia Militar informou que talvez não conseguisse coibir a prática.

Segundo a corporação, a proibição das seculares guerras de espadas, como são chamadas as brincadeiras envolvendo os artefatos, enfrentaria resistência, por parte dos adeptos, e demandaria reforços não previstos aos contingentes de policiais em diversas cidades do interior. 

Após dois dias de festejos, o julgamento do comando da PM mostrou-se correto. O uso das espadas continua ocorrendo e os policiais enfrentam grande dificuldade para tentar cumprir a lei. Considerada arma de fogo pelo MP - razão principal para que o uso fosse proibido -, as espadas levaram ao hospital, em dois dias, 74 pessoas apenas no município de Cruz das Almas, a 145 quilômetros de Salvador. Um homem, com traumatismo craniano, foi transferido para o Hospital Geral do Estado, em Salvador.

Áreas para a "brincadeira"

É em Cruz das Almas que a tradição das espadas é mais celebrada. Todos os anos, os feridos pelos artefatos chegam às centenas à Santa Casa de Misericórdia do município (ano passado foram 220). O gosto pelas guerras é tamanho, porém, que a prefeitura teve de separar quatro áreas da cidade exclusivamente para a "brincadeira".

Divulgação/Jota Freitas/Secretaria de Turismo da Bahia
Moradores mostram suas "espadas" em Cruz da Almas durante a festa de São João, em 2007
Com a proibição da Justiça, porém, as áreas tiveram de ser desativadas - e os espadeiros voltaram a lançar as espadas em bairros residenciais. "A proibição atrapalha os esforços para dar mais segurança aos moradores e turistas", diz o prefeito Orlando Peixoto, que recorreu da decisão da Justiça. A Secretaria de Segurança Pública informa que o esquema de São João tem 400 PMs trabalhando na segurança na região de Cruz das Almas.

Agora na ilegalidade, os espadeiros buscam refúgio em áreas periféricas para tentar fugir das ações policiais. Em uma, foram apreendidas 384 espadas em Cruz das Almas, mas não houve prisões. Em outra, dez pessoas que usavam o fogo de artifício em uma rua foram detidas em flagrante, mas liberadas pouco depois. Um grupo de espadeiros chegou a agredir uma equipe de reportagem do jornal A Tarde, de Salvador, que registrava a brincadeira proibida. A repórter foi atingida, sem gravidade, por uma espada.

No município de Muritiba, vizinho de Cruz das Almas, houve confronto entre adeptos das espadas e PMs. O posto policial da cidade foi depredado e um espadeiro foi atingido no ombro por um tiro. Ele não corre risco de morte. A arma do policial que fez o disparo foi apreendida e a Corregedoria informou que vai abrir um inquérito para investigar o caso.

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