Menino de 12 anos faz sucesso como palestrante motivacional

Com nome de craque holandês, Dennis Bergkamp da Silva cobra R$ 1.500 por sessão de 40 minutos na Bahia

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Com nome de jogador de futebol holandês, um dos craques da Copa de 1994, Dennis Bergkamp da Silva é um menino normal de 12 anos. Cursa o sétimo ano, vê Harry Potter , joga bola, adora lasanha e computador.

Sua autodescrição no Facebook, contudo, revela o que lhe é peculiar: “Sou palestrante, e meu objetivo é ajudar as pessoas a conseguir o que elas querem.” Há um ano, o garoto passou a atuar ao lado do pai, um técnico em patologia de 43 anos que trocou o ofício pelas palestras motivacionais. E acabou por roubar a cena do mentor.

Thiago Guimarães/iG
Dennis Bergkamp da Silva, durante palestra: "Sou palestrante, e meu objetivo é ajudar as pessoas a conseguir o que elas querem".
Tímido na chegada, ele se transforma nas apresentações: fala alto e sem parar por 40 minutos, gesticula, caminha de um lado para o outro. Conta piadas, lança sinais sutis ao operador de PowerPoint e anuncia um “strip-tease” ao tirar o paletó pelo calor.

No vocabulário, palavras inusitadas para um menino de 12 anos: “magnífico”, “inigualável”, “magnitude”. Cita o best-seller mundial “O Segredo”, de Rhonda Byrne, e a conhecida teoria de que, se você quer algo, o universo conspira a seu favor. “Se você não tem controle sobre o eu, sobre os estímulos que vêm a sua mente, você nunca vai chegar a seus objetivos”, afirma.

Na platéia, funcionários, acompanhantes e pacientes do Gacc (Grupo de Apoio à Criança com Câncer) de Salvador. O pai, Franklyn Silva, acompanha atento na primeira fila, para assumir a palestra após o filho.

André diz que foi Dennis quem manifestou o desejo de ser palestrante, mas reconhece que o filho traz uma “opção diferenciada” ao mercado das palestras motivacionais. Embora a apresentação no Gacc tenha sido gratuita, cobram R$ 1.500 por sessão – já falaram para vendedores de carros, funcionários de shopping e têm uma conversa em uma montadora de veículos agendada neste mês. A parte do pagamento que cabe a Dennis, diz o pai, vai para a previdência privada do filho.

Se você não tem controle sobre o eu, sobre os estímulos que vêm a sua mente, você nunca vai chegar a seus objetivos”, diz o menino

Com a voz rouca - de esforço nas palestras e brincadeiras na piscina, diz -, Dennis esbanja facilidade para falar em público. Chama a platéia para participar e distribui brindes com desembaraço. “Obstáculos são coisas boas, pessoal, vamos aproveitar para vencer.”

O menino diz não ter medo nem vergonha das apresentações públicas – e também aplica a receita ao contato com meninas. “Muitas vezes acreditamos que as pessoas não vão gostar, mas na verdade não sabemos o que pensam”, diz.

Na escola, o desempenho de Dennis fica na média dos outros alunos. O que costuma receber são pedidos de dicas de retórica, sobre os quais logo desconversa. “Procuro ser normal, para não ficar parecendo superior”, afirma.

Com títulos da biblioteca de autoajuda na ponta da língua - diz ter lido Brian Tracy, Anthony Robbins e Lair Ribeiro “mais de cinco vezes” -, Dennis faz o público dar as mãos e bater palmas antes de terminar sua palestra. É aplaudido com entusiasmo.

“Isso é uma coisa sobrenatural na idade dele, os temas que ele fala. Mas menino dessa idade tinha é que brincar”, diz a operadora de telemarketing Hercília Barbosa, 58 anos.

Alheio às críticas, o xará do craque holandês quer continuar a carreira de palestrante e acalenta dois sonhos: ganhar um Xbox 360 e ser presidente da República.

Divulgação/Gacc-BA
Dennis e o pai, Franklyn Silva: eles cobram R$ 1.500 por sessão

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