Justiça proíbe "guerra de espadas" no interior da Bahia

As espadas de fogos são tradição na festa de São João da cidade de Cruz das Almas, uma das mais tradicionais do Estado

Thiago Guimarães, iG Bahia |

A Justiça da Bahia proibiu a realização da tradicional “guerra de espadas” de Cruz das Almas (152 km de Salvador). A queima das chamadas "espadas de fogos" é uma das principais atrações dos festejos juninos no município, que recebe 100 mil visitantes durante o São João.

A proibição ocorreu a pedido do Ministério Público. A Promotoria aponta que os artefatos são produzidos sem autorização legal e que a guerra de espadas deixa cerca de 200 feridos por queimaduras anualmente na cidade.

Divulgação/Jota Freitas/Secretaria de Turismo da Bahia
Moradores mostram suas "espadas" em Cruz da Almas durante a festa de São João, em 2007
“É uma atividade perigosa e sem nenhuma regulamentação. Não é porque movimenta a economia da cidade que podemos tolerá-la”, afirmou o promotor Christian de Menezes.

Produzidas de forma artesanal, sobretudo na zona rural do município, as espadas são feitas com pedaços de bambu, barro, pólvora e outros componentes, como salitre e limalha de ferro. Uma dúzia chega a ser vendida por R$ 120.

Um dos principais momentos da “guerra de espadas” é protagonizado pelos “espadeiros”, que queimam e jogam os artefatos uns nos outros. De acordo com o promotor da cidade, há espadeiros que preparam os fogos com vidro raspado e até pregos.

O Ministério Público quer que a atividade seja restrita a locais específicos, como quadras esportivas, o que minimizaria risco de lesões ao público e danos patrimoniais. A pedido da Promotoria, espadas já vinham sendo apreendidas na cidade – foram ao menos 12 mil na última semana.

A Prefeitura de Cruz das Almas contesta a proibição. Apresentou defesa na ação proposta pelo Ministério Público e diz esperar a liberação da atividade. “Existe uma parcela significativa da cidade que gosta da tradição e temos que administrar isso”, afirmou o assessor de comunicação da prefeitura, Maurício Menezes.

A administração afirma que vinha procurando regulamentar a atividade na cidade. Diz que já havia recomendado, por exemplo, um diâmetro máximo para os fogos (5,5 cm), número limitado de dias para a “guerra de espadas” (23 e 24 de junho) e restrição da atividade em alguns locais, como a praça principal do município.

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