Indústrias Nucleares do Brasil têm área interditada na Bahia

Estatal produz urânio para usinas. Fiscalização descobriu que as pessoas não têm a proteção necessária para trabalhar

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Uma ação de fiscalização de órgãos estaduais e federais na Bahia terminou com a interdição parcial da unidade de mineração e beneficiamento de urânio da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil), em Caetité (651 km de Salvador).

A área interditada na última sexta-feira (29) foi a de entamboramento, responsável pela embalagem do urânio concentrado para transporte. A interdição, segundo o Ministério Público da Bahia, interfere em todo o processo produtivo da empresa. A estatal INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares.

Divulgação/Greenpeace
Carga de urânio parada: regularidades ambientais e trabalhistas motivaram o embargo na mina
Irregularidades ambientais e trabalhistas motivaram o embargo na mina. Entre os problemas apontados estão descumprimento de normas de proteção à saúde dos trabalhadores, como prestação de informações sobre exposição à radiação e concessão de aposentadorias especiais.

A fiscalização foi coordenada pelo Núcleo de Defesa da Bacia do São Francisco do Ministério Público da Bahia, em parceria com o Ministério Público do Trabalho e outros órgãos estaduais e federais.

As autuações ocorrem dois meses após uma polêmica envolvendo um carregamento de urânio da estatal. Em maio, moradores de Caetité impediram a entrada na cidade de nove carretas com 90 toneladas de urânio , por acreditar que o material fosse “lixo radiativo”.

A INB informou na ocasião que o material era urânio concentrado, de baixa radiatividade, e que o transporte seguia as regras de praxe. O carregamento, segundo a estatal, fora disponibilizado pela Marinha, em decorrência de queda na produção da mina de Caetité em 2010. O minério seria reembalado na cidade baiana, para posterior envio à Europa para enriquecimento.

A carga só foi liberada após quatro dias de negociações entre organizações ambientalistas e sindicais, INB e prefeituras da região. Mas o episódio expôs desconfiança e insatisfação de parte da população local com a presença da empresa – o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) acabou multando a estatal em R$ 600 mil por irregularidades no transporte do urânio.

Procurada pela reportagem, a INB informou que irá tentar reverter a interdição na Justiça. Disse ainda que o posicionamento oficial da empresa sobre as autuações deverá ser divulgado somente nesta terça-feira (2).

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