Homicídios caem 16% no primeiro semestre na Bahia, diz governo

A gestão registrou 2.273 assassinatos de janeiro a julho, contra 2.706 do mesmo período de 2010. Furtos de carros cairam 22,6%

Thiago Guimarães, iG Bahia |

O número de homicídios dolosos (com intenção de matar) na Bahia caiu 16% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, aponta balanço divulgado nesta quarta-feira pelo governo Jaques Wagner (PT). A gestão registrou 2.273 assassinatos de janeiro a julho, contra 2.706 do mesmo período do ano passado. “Consideramos a redução bastante considerável. São aproximadamente 430 vidas que não foram ceifadas”, disse o secretário de Segurança Pública da Bahia e delegado da Polícia Federal, Maurício Barbosa.

A segurança pública é a área mais sensível para a gestão Jaques Wagner, diante do aumento dos índices de violência no Estado nos últimos anos. De 2005 a 2009, por exemplo, houve alta de 142% nos assaltos a banco e de 85% nos roubos de veículos. A taxa de homIcídios subiu 42% de 2004 a 2009 e o índice de mortes por armas de fogo avançou 347% entre 2000 e 2008.

Diante do desgaste causado pelos índices, o governo do PT na Bahia trocou a cúpula da segurança pública em 2011. Começou a implantar bases de segurança inspiradas no modelo da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro, centralizou as investigações de homicídios e até lançou um baralho com fotos dos bandidos mais procurados.

Em Salvador, os homicídios dolosos caíram 13,5% no primeiro semestre ante o mesmo intervalo de 2010, de acordo com o balanço. O governo divulgou apenas os dados absolutos, sem especificar as taxas por 100 mil habitantes – índice considerado mais adequado para analisar a criminalidade.

Segundo o secretário, os índices por 100 mil habitantes serão divulgados ao final do ano, pois a prioridade do governo no momento é ter “indicadores mais apurados” para definir as políticas.

A reportagem fez os cálculos e a taxa de homicídios por 100 mil habitantes em Salvador em 2011 está em 29,6, acima da taxa de 25,2 verificada para o Brasil em 2008, último dado disponível, baseado em estatísticas do sistema de saúde. Já a taxa da Bahia ficou em 16,2, acima do índice considerado tolerável pela Organização das Nações Unidas (ONU), que vai de 10 a 12.

Ainda com a queda apontada pelo governo, o número de homicídios na Bahia continua alto, se comparado com anos anteriores. De 1997 a 2002, por exemplo, segundo dados do sistema de saúde, o total de homicídios no Estado por ano não ultrapassava 2.000 casos. Chegaram a 2.155 em 2003 e a 4.765 em 2008. De acordo com o secretário da Segurança, apenas 15% dos homicídios são solucionados – o índice anterior de elucidação, segundo Barbosa, era de 10%.

Outras ocorrências

O resumo das ocorrências apontou ainda elevação, no primeiro semestre de 2011, no número de crimes como tentativa de homicídio (3,8%), lesão corporal dolosa (37,3%), estupro (11,1%), e latrocínio - roubo seguido de morte (19,6%). As quedas mais significativas foram registradas em furtos de veículos (-22,6%) e roubos a casas comerciais (-6,2%).

O balanço oficial apontou também estabilidade no número de roubos a banco – 29 nos primeiros seis meses de 2011, mesmo número do primeiro semestre de 2010. O Sindicato dos Bancários da Bahia, no entanto, registrou mais do que o dobro de ocorrências: 61 casos de ataques a agências bancárias.

A diferença nos registros ocorre porque os bancários computam casos de “saidinhas bancárias” e explosões de caixas eletrônicos. O interior da Bahia tem registrado em 2011 uma série de assaltos “cinematográficos” a banco, em que criminosos chegam atirando, dominam policiais e fogem ateando fogo a veículos. O secretário da Segurança disse que o governo baiano está atuando e desarticulou 13 quadrilhas de assaltantes de banco neste ano.

As estatísticas criminais da Bahia são consideradas de má qualidade pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, principal órgão de estudiosos do tema no País. O Estado é classificado como grupo dois de qualidade de informação, caracterizado por “sistemas de informações que precisam ser aprimorados e não permitem retratos fidedignos da realidade”.

Os outros Estados nessa situação são Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

“Eu não concordo, não sei de quem é a avaliação de nível um, nível dois, mas uma característica que me orgulho muito desse governo é a transparência, tanto nos dados da economia como nos dados da questão de homicídios. Essa é uma marca de nosso governo”, disse Wagner em junho ao ser questionado pelo iG sobre o tema.

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