Gravações foram feitas por governo baiano e comemoradas no Planalto

Jaques Wagner (PT) recebeu parabéns de Lula e Dilma pela reviravolta nos rumos da greve da Polícia Militar na Bahia; governador teve apoio da presidenta

Ricardo Galhardo, enviado a Brasília |

AE
Governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
As conversas gravadas entre líderes do movimento grevista da Polícia Militar na Bahia e policiais do Rio de Janeiro foram feitas pelo setor de inteligência do governo baiano.

As gravações, que mostram acertos para a realização de ações de vandalismo em Salvador, tinham autorização judicial. Segundo fontes do governo baiano, a Justiça autorizou as gravações porque os 12 grevistas com mandados de prisão expedidos já respondiam a processos.

O governador Jaques Wagner (PT) já enviou as fitas com os diálogos para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Nesta quinta-feira, policiais militares do Rio fazem assembleia para decidir se entram em greve. A Assembleia Legislativa aprovou o reajuste salarial da categoria .

A reviravolta nos rumos da greve, que poderia se estender e prejudicar o carnaval baiano, foi comemorada pelo governo estadual e federal.

Wagner recebeu telefonemas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidenta Dilma Rousseff, do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, do ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, e de diversos parlamentares. Todos parabenizaram o governador pelo impacto da divulgação das gravações, que levou à desocupação da Assembleia e a prisão dos líderes grevistas.

O governo federal apoiou, desde o início, os trabalhos de Wagner para administrar o processo grevista.

No dia 31, quando a greve estourou, Wagner estava na comitiva de Dilma no Haiti. Ele aproveitou a estrutura do avião presidencial, como o sistema de comunicação, para articular uma ação para desmobilizar a greve. A presidenta Dilma também ligou para o ministro Cardozo para o envio imediato das tropas nacionais para a Bahia. Na greve de 2001, a Força Nacional demorou sete dias para se deslocar para o Estado, nesta, foram apenas dois dias.

O governador baiano estava sofrendo forte pressão do empresariado baiano e setores da PM, inconformados com a quebra de hierarquia, para invadir a Assembleia. Mas o ministro da Justiça ao chegar a Bahia disse que a greve era legal e citou diversos movimentos grevistas de policiais em outros Estados.

A previsão do governo baiano é a de que a greve termine no máximo no domingo. O reajuste salarial deve ser aceito pelos grevistas e a questão da anistia dos presos, deve ficar com a Justiça. Após o fim da greve, mudanças devem ocorrer na cúpula da PM baiana.

Deputados nas gravações

A mulher que aparece na gravação falando para que a greve da Bahia se estendesse até o Rio de Janeiro entrar em greve é Janira Rocha, deputada estadual do Rio de Janeiro pelo PSOL. Ela pode ir ao Conselho de Ética prestar depoimento .

Em seu Twitter, Janira diz que só quis defender o direito dos trabalhadores . O PSOL apoiou a deputada e diz que é favorável " à luta em defesa dos direitos dos bombeiros e policiais".

O deputado estadual do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho também aparece em gravação com o cabo do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro Benevenuto Daciolo. Em sua página na internet, Garotinho confirma que conversou com o cabo, mas apenas para saber qual era o clima da corporação no Rio e conversar sobre a tramitação da PEC 300, que prevê um piso nacional para policiais militares.

“Esclareço que liguei para o cabo Daciolo para saber como estava o clima da tropa no Rio de Janeiro, se ia ter greve ou não, e para informar-lhe que havia pedido aos líderes do PR, do DEM e do PPS que pressionássemos o presidente da Câmara para colocar em votação a PEC 300”, escreve o deputado em seu site.

Garotinho ressaltou que em nenhum momento estimulou atos de vandalismo por parte do movimento grevista na Bahia. ”Na qualidade de deputado federal – eleito com quase – 700 mil votos – tenho o dever de zelar pelos interesses do povo brasileiro, especialmente os do Rio de Janeiro. Em momento algum insuflei ou sugeri a greve como instrumento de pressão.”

  * Com iG São Paulo

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