Governo defende operação e diz que carnaval na BA terá segurança

Policiais civis declararam greve em protesto contra morte de colega suspeito de extorsão

Thiago Guimarães, iG Bahia |

A cúpula da segurança pública na Bahia afirmou no final da tarde desta quinta-feira (2) que o policiamento no Estado durante o carnaval está assegurado, apesar da declaração de greve da Polícia Civil . “A segurança do carnaval está garantida. Até para tranquilizar, quero dizer que temos 22 mil homens trabalhando [em Salvador]”, disse o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, que endossou a ação policial que terminou com a morte de um investigador suspeito de extorsão e motivou os protestos da categoria.

“Classificamos o ato [declaração de greve pela Polícia Civil] como açodado, tendo em vista que visa defender atos delituosos praticados por dois policiais civis”, disse Barbosa em entrevista coletiva.

O investigador Valmir Borges Gomes, 54 anos, foi morto na noite de quarta-feira (2) por policiais civis que investigavam uma denúncia de extorsão . Gomes e outras duas pessoas – um policial civil e um informante - são suspeitos de exigir dinheiro de um rapaz de 19 anos flagrado com lança-perfume. A família do rapaz acionou a Corregedoria da Polícia, que armou um flagrante no local em que o dinheiro supostamente seria entregue.

AE
Carro atingido pela troca de tiros entre policiais em Salvador
Os suspeitos, segundo o governo, reagiram à abordagem. Houve intenso tiroteio em meio a uma das avenidas mais movimentadas da Pituba, bairro de classe média alta de Salvador. A troca de tiros terminou com a morte do investigador Gomes. Os outros dois suspeitos fugiram. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, um deles é o policial civil Antônio Dante Barbosa Ferreira, que teve a prisão preventiva solicitada à Justiça pelo Ministério Público.

Após o tiroteio na noite de quarta-feira (2), houve mobilização de policiais revoltados com o episódio, que fecharam a avenida onde fica a Corregedoria. Policiais civis do COE que participaram da operação foram hostilizados e chamados de “assassinos” por colegas armados. Policiais menos exaltados contiveram colegas e evitaram novo conflito.

Histórico de extorsão

O governo informou que o policial morto na abordagem já havia se envolvido em episódio semelhante em dezembro do ano passado, quando acabou baleado por um policial militar, familiar da vitima da extorsão.

Na tarde desta quinta-feira, a Justiça atendeu pedido do governo do Estado e declarou ilegal a greve dos policiais civis, sob pena de multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. O sindicato da categoria disse que não irá cumprir a decisão e cobra a prisão dos policiais responsáveis pela morte do investigador e o afastamento da cúpula da segurança no Estado. 

Barbosa afirmou que a posição da secretaria sobre as reivindicações é “muito direta”. “Não vamos compactar com nenhum tipo de desvio de conduta”, disse.

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